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28/10/20

Zangados com a chuva

Hoje foi o primeiro dia em vigor da lei que decreta o uso obrigatório da máscara respiratória na rua, e lembrei-me disso ao dar uma pequena volta aqui pelo bairro, ao final da tarde, para desentorpecer as pernas. Já uso máscara social há vários meses, mas até aqui, era quase sempre para aceder ou permanecer no interior de estabelecimentos comerciais. Não me ocorreu, sinceramente, que chegaríamos a este ponto, em que temos uma lei a impor o seu uso desde a porta de casa (pelo menos para quem, como eu, vive na cidade e cruza-se sucessivamente com outras pessoas).

Tenho passado os olhos por alguns textos anti-máscara, "anti-medo", mas pelo que vi hoje na rua, pouco mudou desde há algumas semanas, quando o agravamento da pandemia despertou o debate sobre esta lei. No meu bairro, o uso de máscara na rua já era a regra para muita gente. Ou seja, penso que a maioria das pessoas compreende e aceita que a máscara é uma precaução básica de conservação da saúde pública no contexto de uma pandemia. É desconfortável ao fim de algum tempo de utilização? Sim. É uma chatice ter de voltar atrás quando nos esquecemos dela em casa? Sempre. Atrapalha um bocado a comunicação? Sim (dou por mim a ter de elevar a voz quase sempre). É um lembrete permanente do risco a que estamos expostos? Sim. É para sempre? Não. É melhor do que outras medidas de restrição dos movimentos? Sem dúvida.

Não sei bem o que fazer deste pequeno movimento do "contra", que ignora o óbvio (como a capacidade de um tecido à frente das vias respiratórias para diminuir a quantidade de partículas projetadas ou suspensas no ar à volta), a ciência, as lições históricas de pandemias passadas e os números relativos à capacidade dos nossos hospitais. Imagino que são pessoas que estão fartas de terem alguém a lhes dizer o que é ou não prudente fazer, mas não estamos todos? Penso que a ideia de usar uma máscara durante horas a fio, por exemplo, não agrada a ninguém (a começar pelos nossos profissionais de saúde, que o fazem desde o início da pandemia). O problema é que isso não torna a sua utilização menos segura e razoável.

Quanto tempo teremos de esperar por uma vacina? Ainda terei trabalho nessa altura? Como vou deixar esta "bolha social" em que vivo há sete meses? Quais das minhas amizades vão sobreviver a este distanciamento social? Como é que posso contribuir com alguma coisa de útil e importante para a sociedade a partir de casa? Estas são algumas das preocupações que me têm ocupado nos últimos tempos, com a diferença que não me passa pela cabeça culpar o que ou quem quer que seja pela situação que vivemos e pelas cautelas básicas que praticamente se impõem sozinhas. Sobre isto, ocorre-me uma imagem que encontrei uma vez num livro (para variar, não me recordo qual), de alguém que fica zangado com a chuva, como se isso mudasse alguma coisa — a começar pela sensatez de abrir o chapéu de chuva.

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