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horizonte artificial

ideias e achados.

Telmo

Na semana passada, perdi um amigo. Falamos tanto em perder amigos, para as conveniências, para as redes sociais, para as obrigações da vida, e de repente, a Morte devolve-nos o verdadeiro significado da palavra perder. Não o via há mais de um ano e a nossa última troca de mensagens remonta a maio passado, mas nem isso suavizou o golpe de saber que se perdeu um dos "bons" deste mundo, alguém cheio de projetos (a título de exemplo, fundou, e ajudava a dinamizar, o Meusjogos.pt, um blog que cresceu para se tornar uma referência no meio nacional dos videojogos) e universalmente acarinhado por quem travava conhecimento consigo.

Passada uma semana, ainda me parece impossível. A sua conta no Instagram, onde trocávamos mensagens, continua intacta e um reflexo dos interesses que o realizavam e moviam, incluindo a sua paixão pelos The Gift (um daqueles entusiasmos que nos surpreendem e inspiram a procurar outro que possamos chamar de nosso). Passei por lá várias vezes nos últimos dias, para tentar conciliar estas duas ideias aparentemente irreconciliáveis na minha mente: a ideia de que alguém assim existiu e, agora, não existe mais, senão num servidor algures e nas recordações de quem teve a sorte de o conhecer.

Este texto nasce de uma obrigação ingénua, pungente, de lhe "devolver" alguma (ínfima) existência e  de fixar esta sensação de perda irreversível. Não me considero, de todo, um amigo negligente ou ausente, mas sinto que até eu vou ter de mudar um pouco — e perder o medo do "primeiro passo". A vida é mesmo, mesmo, demasiado curta para guardarmos as nossas simpatias na gaveta.

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