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09/01/21

Leituras para 2021

Um guia para algumas das leituras que vou tentar fazer este ano

Terre des hommes, Antoine de Saint-Exupéry

"Alguém disse que cada língua que se fala é uma vida a mais a que se tem direito", escreveu a Maria Ribeiro, no seu delicioso livro de crónicas Trinta e oito e meio. E eu continuo a lutar por essa vida extra, persistindo no francês, apesar da falta de prática e da fraca memória. Ler este livro de memórias de Saint-Exupéry vai ser o meu desafio francês do ano.

 

Shooting an Elephant, George Orwell

Outro livro de memórias, que me despertou a atenção pelo título, e que, pela sinopse, não é para ser interpretado no sentido figurativo. Depois de 1984 e de O Triunfo dos Porcos, nunca mais voltei a Orwell e tenho curiosidade para o ler no campo da não-ficção.

 

Oscar Wilde, Richard Ellmann

Quem ler a Carta a Bosie, de Wilde, fica com uma ideia muito precisa da personalidade e estado de alma do escritor na fase final da sua vida, mas continuo curioso para saber mais sobre o seu percurso e obra. Esta biografia de Ellmann é uma das que encontro mais vezes referida.

 

Born With Teeth, Kate Mulgrew

Não cheguei a vê-la em Orange is the New Black mas Mulgrew surgiu e destacou-se aos meus olhos na pele de Kathryn Janeway, capitã da Voyager, a primeira série do universo Star Trek com uma mulher no papel principal. É a série televisiva que eu segui mais de perto e mais vezes revi. Este interesse na Voyager provavelmente merecia um post só dedicado ao tema, mas é uma série, como poucas outras, que soube aliar o futurismo da exploração espacial (um tema que já me é caro) ao humanismo das suas histórias e personagens. Para o género, é uma série bem filmada, que começa a beneficiar dos efeitos especiais avançados dos anos 90, mas a sua força reside no desenvolvimento dos personagens e na existência de um tema central bem definido: a dificuldade em sermos nós próprios (e de nos segurarmos aos nossos valores e princípios) quando somos arremessados para longe de casa e de tudo o que nos é familiar. As fontes de inspiração são muito diversas (a título de exemplo, ocorre-me logo o episódio inspirado na Vita Nuova de Dante Alighieri) e é esse domínio da história e literatura que prendem à vida uma série sobre uma nave espacial perdida noutra galáxia. Mulgrew é a capitã dessa nave e uma das protagonistas femininas mais fortes e seguras que já acompanhei na televisão. É o papel da sua vida, que ela conta na sua autobiografia e estou muito curioso para ler. Por falar em títulos literais (admito que não sabia que era possível nascer com alguma dentição), este é outro que impressiona e oferece um vislumbre sobre a personalidade dentro do livro.

 

Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola, Maya Angelou

Fiquei a conhecer a Maya Angelou pela primeira vez no programa televisivo da Oprah, onde a escritora e poetisa norte-americana foi algumas vezes convidada. A sua bonomia impressionou-me logo, mas nunca cheguei a espreitar nada escrito por si. O seu nome, e este livro em particular, voltou a aparecer referido em 2020, como uma leitura útil para levantar as raízes do racismo sistémico nos EUA (e não só).

27/12/20

6 leituras de 2020

Uma seleção dos livros que mais me marcaram no último ano

Açores a pé, de Nuno Ferreira

Comecei a sua leitura no início do ano, quando ainda fazia parte dos planos voltar aos Açores, e não sonhava que 2020 seria quase todo passado em casa. Antes de surgir a pandemia e o confinamento, já sentia o desejo de partir numa viagem, e a do Nuno não deixa ninguém indiferente. Quem se imagina, hoje em dia, a percorrer ou chegar a algum sítio a pé? É uma proposta única, tanto para quem escreve como quem lê. E abriu caminho, claro, para a leitura, já em confinamento, de outra caminhada épica, Portugal a pé, pelo mesmo autor. 

Não sei quando poderá acontecer, mas este livro redobrou o meu desejo de regressar aos Açores, de ficar a conhecer mais ilhas do arquipélago e de voltar a sentir a hospitalidade dos açorianos.

O prazer da leitura, de Marcel Proust

O título sugere que se trata de um simples, ainda que belo, elogio à leitura e ao mundo dos livros, mas é um pouco mais sombreado do que isso. Proust descreve a leitura como um "milagre fecundo de uma comunicação no interior da solidão" (uma das descrições mais bonitas que já encontrei do ato da leitura), mas desconfia do culto dos livros e da ideia de que é possível cultivar e estimular o intelecto apenas pela leitura.

O Primo Basílio, de Eça de Queirós

Tenho um certo medo de pedir (e fazer) recomendações de leituras a amigos, mas quando uma acerta em cheio, a gratificação é a dobrar, pelo bom gosto na escolha: do livro e do amigo. É um romance que tem todos os ingredientes para uma leitura absorvente: humor, ironia, sexo, traição, crítica social e Lisboa do século XIX.

Marca de Água, de Joseph Brodsky

Falar em literatura de viagens em relação a este livro parece um bocadinho deslocado. Falta uma categoria onde arrumar livros que falem de viagens, sim, mas sempre com o mesmo destino. Literatura de sítios ou Literatura de viagens repetidas parece mais apropriado. No caso de Brodsky, trata-se de uma declaração de amor a Veneza, à sua geografia peculiar, aos seus mistérios e labirintos, às suas sombras e reflexos. 

A man on the Moon: the voyages of the Apollo astronauts, de Andrew Chaikin

Por falar em viagens, eis a mais ousada de todas elas. Já estão em curso os preparativos para enviar novamente homens (e, pela primeira vez, mulheres) à Lua, mas continua a ser difícil de acreditar que houve um tempo e um sítio no século XX (o século das grandes guerras, da explosão do capitalismo e do individualismo) em que foi possível mobilizar quase meio milhão de pessoas com um objetivo tão específico e limitado no tempo. Chaikin faz provavelmente o relato definitivo desse feito da engenharia e audácia humana, sem perder o foco nos 12 homens que pisaram a Lua. Quando lemos sobre os seus percursos de vida, os desafios que enfrentaram e as suas impressões de explorar um mundo extraterrestre, percebemos que são esses testemunhos que servem de prova irrefutável da presença do Homem na Lua. Ninguém com aquele nível de preparação técnica (e emocional) seria capaz de passar o resto da vida a ser recordado de uma mentira dessas pela visão constante da Lua lá no alto do céu.

Anna Karénina, de Lev Tolstoi

Ainda não o quis terminar, mas já é claro que se trata de um dos livros mais impressionantes e arrebatadores que li até hoje. A densidade psicológica dos personagens é tal que parece impossível que aquelas pessoas não tenham existido realmente em algum ponto da história da humanidade e que não tenham aceite partilhar os seus pensamentos com Tolstoi. Sabia que estava a abrir uma das obras-primas da literatura mundial, mas não ia preparado para me rever nas tristezas, ambições e angústias daquela galeria extravagante de personagens da Rússia Imperial. Não consigo desenvolver esta ideia até ao fim, mas imagino que este romance está, de alguma forma, na génese da psicologia moderna. Um dos poucos livros deste ano que tive de desistir de sublinhar logo nas primeiras páginas (sob o risco de todo ele ficar sublinhado).

Mais recomendações de anos anteriores na tag leituras do ano.

25/01/20

5 leituras de 2019

A Câmara Clara, de Roland Barthes

Qual é a origem do fascínio da fotografia? O que nos prende o olhar? O que tentamos registar ou salvar através de uma fotografia? São algumas das questões que o filósofo francês examina a partir da sua própria experiência, nomeadamente o luto.

Ensaios sobre fotografia, de Susan Sontag

Sontag faz um resumo crítico das principais formas de pensar e promover a fotografia como arte. Ao lê-la, fica claro como a influência da fotografia penetrou e modificou todos os domínios da vida moderna. Por um lado, liberta forças criativas, por outro converte tudo em imagens consumíveis e colecionáveis. Sontag sugere que é possível um meio-termo, mas vai ser preciso encetar uma espécie de ecologia das imagens.

Siddhartha, de Hermann Hesse

Uma enorme surpresa para mim, que só conhecia o livro pelo título. Um daqueles livros que imagino que levaram uma vida, ou uma grande viagem, a ser escritos. Tentei resumi-lo numa frase-relâmpago para os meus amigos e o que me ocorreu é que se trata de um livro de revelações sem revelações. Não faltam momentos em que tudo na narrativa parece preparar uma partilha de grande sabedoria para, logo a seguir, a onda passar por cima de nós e se desfazer em, bom, quase nada. Perante os limites da experiência e do conhecimento, Hesse aponta o caminho da humildade. Na minha leitura de Siddhartha, quando reconhecemos que não podemos conhecer e viver tudo só nos resta dar aos outros o benefício da dúvida e da curiosidade.

Becoming, de Michelle Obama

No palco mundial, ocorrem-me poucas pessoas sem ligação direta ao poder que se tenham destacado quase exclusivamente pelas suas qualidades pessoais. Ler a sua biografia é perceber como a Michelle podia ser a Ana, a Anabela, a Mané, a Rosa, todas as mulheres que conheço e que admiro pela forma como perseguem os seus objetivos pessoais e profissionais sem nunca perderem de vista os seus valores. Quem se propõe a fazer isso, qualquer que seja o tamanho do seu palco, acaba sempre por iluminar o caminho para quem vem a seguir (ou segue à volta).

A invenção do dia claro, de José de Almada Negreiros

A melhor descrição que me ocorre é de que se trata de um caderno de ideias. Deu livro, mas tinha tudo para dar um blog: cabem poemas, pequenas entradas do dia-a-dia, jogos de palavras e desabafos. Era mesmo difícil não gostar.

Aqui fica uma entrada deliciosa:

Um dia foi a minha vez de ir a Paris. Foi necessário um passaporte. Pediram a minha profissão. Fiquei atrapalhado! Pensei um pouco para responder verdade e disse a verdade: Poeta!

Não aceitaram.

Também pediram o meu estado. Fiquei atrapalhado. Pensei um pouco para responder verdade e disse a verdade: Menino!

Também não aceitaram.

E para ter o passaporte tive de dizer o que era necessário para ter o passaporte, isto é - uma profissão que houvesse! e um estado que houvesse!

16/12/17

Dez livros de 2017

Escrever sobre os livros que leio é um exercício que não devia fazer apenas uma vez por ano. Seja como for, aqui ficam alguns dos livros que me fizeram boa companhia (no metro, na pastelaria e junto ao rio) em 2017.

 

Escrever: memórias de um ofício, Stephen King

King é o escritor que mais li até hoje. O homem tem uma imaginação fértil para criar situações únicas de impasse que depois resolve com uma mistura muito própria de talento, inteligência e humor. Este ano voltei a ler mais dois ou três livros dele, incluindo este “Memórias de um Ofício”, onde conta o seu percurso como escritor e partilha alguns conselhos para escrever bem. Como o próprio admite, nada do que ele revela irá surpreender quem já lê por hábito, mas o importante é a maneira como o faz, com carisma e sem falsas promessas ou réstia de presunção (para quem já vendeu milhões de livros). Uma analogia particularmente bonita que encontra para descrever a magia da escrita é a telepatia, como forma de transmitir pensamentos no tempo e no espaço a outra pessoa. Quando pensava que já não podia ficar mais interessado nesta obra, cheguei ao último capítulo, onde King relata o célebre atropelamento de que foi vítima em 1999, precisamente na época em que escrevia este livro. A escrita, e a vontade de terminar estas páginas, ajudaram-no a enfrentar a longa e dolorosa recuperação que se seguiu.

 

O Casamento, Nelson Rodrigues

Comecei por ler as suas crónicas e fiquei impressionado com o afiado sentido de ironia deste escritor brasileiro. Foi por isso que decidi dar-lhe mais uma oportunidade e procurar um dos seus romances. Bastou ler algumas páginas deste Casamento para ser novamente apanhado desprevenido pelo seu estilo mordaz. Um dos poucos livros deste ano que me fizeram, aqui e ali, rir em voz alta.

 

Uma história da leitura, Alberto Manguel

Um apanhado geral da história da leitura, bem escrito e organizado. É aquele tipo de livro que elogia secretamente qualquer leitor obsessivo, por confirmar a vantagem do seu ponto de vista do mundo.

 

O Capitalismo Estético na Era da Globalização, Gilles Lipovetsky e Jean Serroy

Confesso: escolhi este livro pela capa, que me intrigou pela sobreposição do título com a fotografia de dois requintados bolos que podiam ter saído da vitrina de qualquer pâtisserie. O que é que a pastelaria francesa pode ter a dizer sobre o capitalismo e a globalização? Lipovetsky e Serroy procuram mostrar como a estética, ao serviço do capitalismo, impregnou todas as esferas da atividade humana, com todo o tipo de consequências e possibilidades associadas. Sinto que é uma leitura útil para decifrar e questionar o tempo em que vivemos.

 

O declínio da mentira, Oscar Wilde

Um manifesto artístico que exalta o direito e o dever do artista a inventar, a sair de si e a não ficar preso ao que a sua época valoriza e legitima. É um texto magnífico, muito fácil e rápido de ler, que autoriza a pensar e a criar mais alto.

 

A Flor Amarela, Anabela Mota Ribeiro

A Anabela teve a oportunidade, no âmbito da sua tese de mestrado, de reler e trabalhar um dos seus livros preferidos, o romance “Memórias póstumas de Brás Cubas”. O resultado é um pequeno livro igualmente fascinante, que bebe de várias fontes para pensar e abrir a obra de Machado de Assis a mais leituras. Um trabalho intelectual marcado pela distinta sensibilidade e inteligência da Anabela. É um livro sobre outro livro, o que significa que é uma recomendação que vale por duas.

 

Lolita, Vladimir Nabokov

A grande revelação do ano para mim. Sempre ouvi falar da “Lolita” de Nabokov, mas nada me preparou para a surpresa que tive com este livro. Entrar na mente de um pedófilo e manter o leitor interessado naquele limiar entre a lucidez e a patologia é um feito considerável. Nunca li nada assim e desconfio que não voltarei a ler.

 

Street Photography Now, Sophie Howarth e Stephen Mclaren

O melhor livro que consultei este ano sobre fotografia, com excelentes conselhos, depoimentos e reflexões de fotógrafos de todo o mundo sobre essa vontade de ir para a rua com uma máquina e tirar fotografias a estranhos nos seus afazeres diários. O principal mérito do livro é expandir a nossa ideia do que pode ser street photography, num mundo que apesar de estar cada vez mais ligado e parecido, continua a oferecer vislumbres inesperados de descoberta, beleza e tensão a quem está disposto a observá-lo.

 

O Tumulto das Ondas, Yukio Mishima

Se pudesse colava aqui as primeiras 5 páginas deste romance. Foi uma das minhas primeiras leituras do ano e continuo com a imagem (e é mesmo imagem) bem presente da ilha onde a história acontece. Nitidez é a melhor palavra que me ocorre para descrever o estilo de Mishima.

 

Tudo é fatal, Stephen King

Depois da desilusão da trilogia "Bill Hodges" não contava voltar tão cedo aos contos de Stephen King, mas cruzei-me por acaso com este "Tudo é fatal" e não resisti à citação na contracapa do conto "Sala de autópsias número quatro". Como é que o autor ia resolver uma situação destas, em que o protagonista acorda paralisado e dá por si prestes a ser autopsiado vivo? A premissa é brilhante e o seu desenvolvimento é de deixar qualquer leitor preso à página. O encontro com "O homem do fato preto" é assombroso e astucioso na forma como explora o medo da solidão na natureza. "Tudo o que amamos nos será tirado" é um título brilhante e o mote a uma das histórias mais caricatas do livro. "Tudo é fatal" dá o nome ao livro e fornece o enredo perfeito para uma mini-série televisiva. Por fim, "1408" é fantástico, sobretudo pelo jogo de antecipação do que o protagonista dessa história irá encontrar ao abrir a porta do quarto de hotel com o número 1408.

31/12/15

Alguns livros que me surpreenderam em 2015

Não são necessariamente os meus favoritos do ano, mas são aqueles que causaram algum tipo de sobressalto. Vão daqui recomendados.

 

Saint Exupery, Marcel Migeo (link)

O primeiro livro que me veio parar às mãos em 2015 e um dos mais bem escritos, apesar de se tratar de uma tradução portuguesa já antiga. Migeo fez um ótimo trabalho a desmistificar o aviador, escritor e filósofo em Saint-Exupéry para nos dar a conhecer o homem, com os seus inevitáveis defeitos, e a sua incrível vida.

 

A Condição Humana, André Malraux (link)

Outro autor francês, uma grande surpresa com a pungência de Malraux. O traço que mais me ficou na memória da sua leitura é o nevoeiro da noite.

 

Go Set a Watchman, Harper Lee (link)

Esperava, como antecipa a Vanita, o resultado de um golpe de marketing, mas uma vez lá chegado, tive de entrar no livro e isolar o ruído. Foi um dos poucos livros de que falei aqui no blog, está lá tudo o que penso dele.

 

Capitães da Areia, Jorge Amado (link)

Foi a minha primeira leitura de Jorge Amado e rendi-me completamente à narrativa das aventuras daquelas crianças. No final, sentia-me uma delas e, claro, não queria que ninguém ali crescesse.

 

Segundo Sexo (1ª parte), Simone de Beauvoir (link)

Um livro que marcou o feminismo e que clarifica uma série de coisas à volta da nossa condição atual de homens e mulheres.

 

Sputnik, Meu Amor, Haruki Murakami (link)

O meu primeiro encontro com Murakami e uma excelente impressão inicial. A sua sensibilidade torna o mais pequeno gesto límpido e luminoso.

 

A Máquina de Fazer Espanhóis, valter hugo mãe (link)

Um retrato da velhice sem falsas contemplações e um bom ponto de partida para descobrir a obra de valter hugo mãe.

 

Flores, Afonso Cruz (link)

Uma das últimas leituras de 2015 e um autêntico ramalhete de belas imagens literárias. A curiosidade em relação a Afonso Cruz começou com a apresentação, na Fnac, de "Barafunda", outro livro seu para crianças e logo aí ficou evidente a sua cultura, filosofia e talento para cativar quem o lê.

 

A Possibilidade de Uma Ilha, Michel Houellebecq (link)

Um livro tão provocador que ainda não sei bem, ao final de um mês, o que pensar dele. A ironia e um certo (alguns diriam considerável) desdém pela humanidade aparecem na leitura como um degrau inesperado no caminho. Vamos tropeçar e retomar o caminho como se nada fosse, mas há um incómodo que perdura.

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