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21/02/22

Nunca vou deixar as luzes do carro ligadas

Este fim-de-semana, pela primeira vez, conduzi sozinho ao longo de algumas centenas de quilómetros de auto-estrada. Tenho lido muito sobre a sensação de liberdade de andar de bicicleta (precisamos de um verbo para aquilo que fazemos realmente em cima de uma bicicleta, ali entre o andar, o deslizar e o engrenar), mas confesso o deslumbramento com a velocidade e o progresso de um automóvel numa estrada vazia. O meu não é particularmente veloz nem confortável, mas ainda não me habituei totalmente à ideia de poder entrar e manobrar inteiramente sozinho uma máquina a grande velocidade (no meu caso, entenda-se "grande velocidade" por 110km/h, que raramente ultrapasso). Dou algumas vezes por mim a pensar nos milhões de horas de trabalho necessárias para desenvolver, fabricar e aperfeiçoar os sistemas que me rodeiam e reduzem a complexidade da operação da máquina a alguns gestos e procedimentos.

Sei que a história do automóvel está muito ligada ao desenvolvimento do capitalismo, do individualismo, do urbanismo, entre outros -ismos, e que muito pode, e deve, continuar a ser dito em relação à nossa dependência do automóvel. Posto isto, é igualmente inegável que conduzir um automóvel em direção ao horizonte está entre uma daquelas experiências que provavelmente surripiámos aos deuses. Tenho amigos que falam disso como fazer terapia. Muito embora eu não esteja nesse nível (para começar, a terapia sairia mais barata, dado o preço dos combustíveis), sou levado, muito a contra-gosto, a concordar.

O meu elogio do automóvel é, acima de tudo, o elogio da distância que este permite atravessar sem grande envolvimento físico. Mas também é um elogio do refinamento da máquina, seja na redução da sua perigosidade, seja no aumento do seu conforto. Um exemplo disso é um dos meus detalhes preferidos do automóvel que conduzo: o alerta sonoro que dispara quando abro a porta ainda com os faróis acessos. Vê-se cada vez menos  nas nossas ruas (até porque a tecnologia mais recente já desliga as luzes automaticamente), mas sempre que avisto uma viatura estacionada com os faróis ainda acessos, comprazo-me pela atenção que alguém teve na introdução desta (aparentemente) simples funcionalidade no modelo do meu carro. Gosto dessa sensação, quase luxuosa, cada vez mais rara, de ter menos uma preocupação na vida.

06/03/21

A cor do horizonte

Isabel Salema, numa notícia do Público, sobre a cor escolhida para a renovação da fachada do Teatro Nacional de São Carlos:

Não será o azul do complexo da Marinha na Ribeira das Naus, nem de outros edifícios vizinhos do Chiado que exibem um azul-bebé-desmaiado. Ainda estão a ser feitos os últimos testes cromáticos, mas o Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), em Lisboa, que há décadas ostenta uma fachada amarelo-ocre, deverá passar a exibir uma nova cor quando os andaimes e a tela que cobrem a fachada desde Novembro forem retirados. Para já, chamemos-lhe a “cor do horizonte”.

É a primeira vez que encontro uma referência a esta cor, demasiado irresistível para não catalogar aqui.

16/06/20

Alqueva

Dois praticantes de remo em pé junto à barragem do Alqueva

Foi a primeira saída da cidade em quatro meses e juntou o desconfinamento à descoberta do que pode ser descrito como um verdadeiro horizonte artificial. Não houve muito tempo para planear a viagem ou demorar em cada paragem, por isso soube mais a visita de reconhecimento do que a escapadinha. Estava um pouco ávido de me fazer à estrada e de ver e parar em sítios novos. Voltei interessado em saber mais sobre esta região, e já ando a espreitar alguns livros que ajudem a perceber como era antes da barragem e o que mudou com a sua construção. O impacto na paisagem é óbvio e factualmente impressionante (o maior reservatório artificial de água da Europa Ocidental, segundo a Wikipédia). Falta conhecer o resto.

08/05/14

horizonte: três rainhas no Tejo

 

Já foi na terça-feira, mas não queria deixar de partilhar uma das fotografias que consegui fazer da passagem por Lisboa das três "Queen" da Cunard. Gosto de viver numa cidade em que a passagem de três super navios ainda é considerado um evento, com direito a ser notícia no dia anterior à sua chegada e capaz de mobilizar quase todos os fotógrafos amadores da cidade, numa competição não-oficial pelo melhor ângulo panorâmico dos três gigantes no Tejo (o prémio, já agora, vai para esta fotografia de António Alfarroba, feita a partir do topo do arco da Rua Augusta).

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