O caminho salgado
Se gostam de caminhadas na Natureza, aceitem este conselho: vão ver "The Salt Path", realizado por Marianne Elliott, ainda em algumas salas de cinema. Bastava dizer que é um daqueles filmes que nos abrem o coração ao mundo, mas apetece dizer muito mais e isso já é um sinal do quão bom é, quando nos encoraja a recomendá-lo aos quatro ventos.
Interessei-me pelo filme por completo acaso, ao ler a sinopse e dar pela coincidência de contar a história de um casal que é empurrado pelas circunstâncias da vida a iniciar uma caminhada ao longo da costa sudoeste da Inglaterra — apenas semanas depois de eu próprio ter percorrido parte do Trilho dos Pescadores, na nossa costa vicentina. Perdi o hábito de espreitar a programação dos cinemas, daí o acaso ter-me parecido especialmente feliz.
Não é um filme fácil, aviso já, mas caminhar longas distâncias também não. A minha caminhada mais recente foi marcada por altos e baixos, de percurso e emocionais, e não deixou de ser uma das melhores experiências que tive a viajar sozinho nos últimos anos. Ora sentia-me o ser mais pequeno do mundo, perante a extensão da caminhada e da solidão que tomava conta de mim, ora o maior, perante o panorama diante dos meus olhos. Não é muito diferente do que a vida faz connosco, mas tudo concentrado em alguns dias e em contacto com a Natureza (e o desconforto da ocasional camarata).
A minha forma de voltar a recomendar, a quem quer que seja, que faça (ou repita) alguma caminhada semelhante passa por este filme, realizado e filmado por alguém que, claramente, já fez o mesmo. Bom filme, e bom caminho!










