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horizonte artificial

ideias e achados.

Fizemos uma ação bonita

Vivemos na sombra de duas guerras próximas, ansiosos em relação às grandes decisões que se avizinham (em Portugal e nos EUA) e ainda temos de ir gerindo os pequenos contratempos do nosso quotidiano. No meio disto tudo, queria partilhar aqui uma ação bonita, que me impressionou por a ter testemunhado de perto.

Há duas semanas, uma colega muito querida na nossa empresa perdeu subitamente o pai, a viver no outro lado do mundo. A notícia chocou-me e entristeceu-me, mas confesso, desde já, que não me ocorreu a logística e o encargo financeiro que uma deslocação imprevista deste género poderia implicar a alguém nestas circunstâncias. Felizmente, ocorreu a outra pessoa, que fez as perguntas certas, contactou mais algumas pessoas e foi capaz de gerar um movimento de solidariedade que resultou, em poucos dias, num valor que permitiu comprar um bilhete de avião para a minha colega (que não pediu nada disto). Nada consola uma perda tão grande, mas quem já passou por isso sabe a importância da despedida e da família, especialmente ao fim de tanto tempo passado longe da terra-natal. Encheu-me o coração ver (na aceção de comprovar) como podemos fazer algo tão bonito por outra pessoa quando nos preocupamos e juntamos esforços.

Não fui uma das pessoas que teve a iniciativa, nem estive envolvido na organização de tudo o que foi preciso fazer para garantir que corria bem, por isso conto isto com muito à-vontade. Acho que precisamos todos de mais exemplos destes nas nossas vidas, de sermos recordados da diferença — do bem — que uma ação coletiva pode fazer. Faço aqui a minha parte, deixando este lembrete.

coisas boas

Antes de continuar com a emissão deste blog, deixa-me só voltar atrás e dizer que aquela cena do filme "This must be the place" é in-crí-vel, com a palavra soletrada. Não sei dizer se é mais um long take ou um tracking shot (neste último, implicaria ser a câmara mover-se, o que não é bem o caso), o que quer que seja parece mais um dispositivo cénico do teatro do que do cinema, e se calhar é aí que reside a magia da cena. Demora um bocadinho a fazer sentido da perspetiva da coisa, até que eles finalmente baixam as cabeças (momento preferido aqui mesmo) e fica tudo mais claro. Palmas, senhor Sorrentino.