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02/02/20

EVOA

Uma visita ao maior observatório de aves no país

Um abrigo para observação de aves na margem de um dos lagos do EVOA

É quando pensamos que chegámos que a verdadeira viagem começa. Depois de passarmos Vila Franca de Xira e de sairmos da estrada alcatroada, aguarda-nos um caminho espantoso de 12 quilómetros em terra batida (e boas condições) até ao coração da Reserva Natural do Estuário do Tejo (RNET). O impulso irreprimível, para quem sai do confinamento da cidade, é parar e apreciar o espelho de água da lezíria e a vista desimpedida do horizonte em todas as direções.

O objetivo desta incursão pela campina é a visita ao maior observatório de aves do país, o EVOA (sigla para Espaço de Visitação e Observação de Aves), inaugurado em 2012, cujo centro de interpretação, isolado no horizonte, tanto pode parecer um chalé de grandes dimensões como uma nave espacial aterrada no meio da lezíria.

O edifício principal do EVOA visto à distância

A sua localização bem no interior da reserva faz do EVOA uma espécie de posto avançado da civilização. Além de apoiar as atividades relacionadas com o estudo e a conservação da RNET, o EVOA foi concebido para acolher e incentivar, de forma controlada, a curiosidade em relação à abundância e diversidade da avifauna existente na zona.

Uma visita ao EVOA inclui uma pequena exposição sobre a RNET e o acesso aos caminhos que conduzem aos três pequenos lagos artificiais ali perto. A visita guiada leva duas horas e consiste essencialmente de uma sessão de observação de aves com binóculos (emprestados pelo EVOA) a partir dos pequenos abrigos situados nas margens dos lagos.

Um papa-ratos, observado num dos lagos do EVOA

De acordo com o site do EVOA, o Estuário do Tejo é considerado uma das 10 zonas húmidas mais importantes da Europa devido às grandes quantidades de aves aquáticas migradoras que recebe. No dia da nossa visita, conseguimos observar pelo menos uma dezena de espécies de aves diferentes, sozinhas ou em bando: águias, gansos-bravos, pernilongos, abibes, piscos-de-peito-azul, entre outras, que um folheto fornecido no início da visita ajuda a identificar e registar.

Vale a pena destacar o papa-ratos (na fotografia acima), cujo avistamento entusiasmou visivelmente o nosso guia. Segundo ele, trata-se de um exemplar relativamente infrequente por aqueles lados.

Um bando de aves descansa nas águas de um dos lagos situados no EVOA

O site do EVOA permite consultar uma listagem com as 100 espécies mais avistadas naquela área. Um número surpreendente de aves, mais de 120 mil, podem passar por ali à procura de repouso e alimentação durante as épocas de migração.

A oportunidade para observar de perto tantas espécies diferentes, em tal abundância, é algo que não devem deixar escapar. Além do contacto proporcionado com a natureza, no seio de uma reserva natural, a visita revela um lado completamente diferente, relativamente intocado, do estuário do Tejo. Ao fim-de-semana, existem duas visitas guiadas, uma de manhã e outra à tarde, mas só há capacidade para um número reduzido de participantes, pelo que é aconselhável reservar com alguma antecedência.

Um abibe, um pernilongo e um bando de gansos-bravos em voo

Ao nível da fotografia, a minha maior lente (com a distância focal máxima de 200mm) não chegou para superar a distância entre nós e as aves. Mesmo dentro dos abrigos, é preciso guardar silêncio e uma certa distância dos vidros espelhados. O que pode ser visto como um obstáculo, todavia, é precisamente aquilo que permitiu que certas aves, como o papa-ratos mais acima, passassem tão perto dos abrigos, completamente alheias ao grupo de pessoas que as observavam no interior.

É no caminho até ao EVOA que se vai avistando outra espécie de fotógrafos, melhor equipados e mais determinados. Algumas das lentes que usam podem ser descritas como mini-canhões, tal é a sua distância focal (600mm ou mais). Só lentes tão grandes, e muita persistência, conseguem produzir fotografias tão detalhadas e espantosas como aquelas que o Daniel Raposo, aqui mesmo no SAPO Blogs, ou o Rui Pereira, no flickr, vão partilhando com o mundo.

O céu acima de um dos caminhos do EVOA

Uma das últimas fotografias da tarde, dos únicos aviões que se viam, naquele dia, no céu. Mais a sul, no Montijo, está prestes a receber luz verde a construção de um novo aeroporto, cujo impacto também pode vir a ser sentido na RNET.

Duas horas no EVOA foram suficientes para constatar a abundância e diversidade de aves que se sentem atraídas pela beleza e sossego daquela área. É importante apoiar a missão de quem, no EVOA, e não só, tenta manter o frágil equilíbrio de forças entre a cidade a crescer no horizonte e a natureza que procura ali refúgio.

02/09/16

A Festa do Livro em Belém (e o Presidente Marcelo)

pedron-3200.jpg

A curiosidade da Festa do Livro em Belém começa logo na forma como é apresentada na brochura oficial, como "uma iniciativa de Sua Excelência  O Presidente da República". Já muito foi dito e escrito sobre a originalidade do estilo presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, mas organizar uma feira do livro nos jardins do Palácio de Belém é notável. Passei por lá ontem, no primeiro dia, e gostei desse dois em um que é ficar a conhecer os jardins do Palácio com livros à volta. Se essa descrição for aliciante, quem quiser tem até domingo para passar por lá, com entrada gratuita. Quanto à feira propriamente dita, tem a dimensão que o espaço permite e preços apenas ligeiramente reduzidos.

 

 

07/10/12

bóra passear: pela RTP

A visita à sede da RTP, através da Open House, foi uma das poucas que apanhei que ainda permitia inscrições, por isso não deu que pensar muito. Foi um bocado cansativo (a visita de meia hora acabou por durar duas horas e meia) mas valeu a pena ficar a conhecer por dentro a estação pública de rádio e televisão. Acima, a secretária de onde é apresentado o Telejornal. Kleenex sempre à mão.


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10/11/11

bóra passear: experimenta design 2011

A minha câmara fotográfica (uma point-and-shoot da Sony, com apenas 4 anos) pifou, por isso a recomendação de passeio tem de ser feita através das fotografias de outros. Sugiro começar por este post do Diário de Lisboa, que desperta a curiosidade sobre o que a edição deste ano da Experimenta Design, dedicada ao Useless, reserva aos visitantes do seu Lounging Space, alojado no edifício do antigo Tribunal da Boa-Hora, em plena Baixa lisboeta.

 

A bienal de arte+arquitetura abriu as portas e janelas do tribunal, que ficou Useless em 2009 com a inauguração do Campus da Justiça na Expo, ligou as luzes e convidou artistas a instalarem-se e a instalar o edifício. A escolha do antigo tribunal como ponto de encontro para os vários sentidos da palavra Useless promete a vários níveis, a começar pela sensação de se estar a percorrer os bastidores da justiça, das salas de julgamento (ainda equipadas com as cadeiras de estofo preto reservadas aos juízes) aos gabinetes, passando pelos corredores, onde se cruzaram durante anos acusados, vítimas e testemunhas de todos os tipos de crimes. Se há sítio que parece ser habitado por fantasmas, é este.

 

Algum do imobiliário que ficou para trás com a troca de instalações também foi aproveitado de forma simbólica. Ventoinhas, máquinas de escrever, aquecedores e outros equipamentos estão amontados junto às escadas, a bloquearem a passagem. Amontoados e inúteis, os objetos parecem dizer aos novos visitantes "levem-nos convosco".

 

O uso anterior do edifício, de resto, não passou despercebido aos artistas, como faz prova uma das minhas partes preferidas da mostra, a design crime scene.

 

A entrada é livre, mas para quem se interessa por design, arquitetura e ao que acontece quando estas se misturam em arte, a visita é obrigatória (até dia 27 deste mês).

 

À saída, só fica a esperança íntima de que, depois da bienal ter desligado a última luz e fechado a porta atrás de si, a cidade consiga encontrar e dar outro uso parecido ao antigo tribunal da Boa-Hora.

30/01/10

Bóra passear?

Pensei em fazer as coisas de forma um bocadinho diferente e desta vez sugerir uma pequena incursão por um livro de que gostei bastante recentemente: The Making of "Where the Wild Things are". Como as minhas dicas subtis para o Natal não surtiram efeito, acabei finalmente por encomendá-lo há algumas semanas pela Amazon.

 

Para quem, como eu, apreciou o filme, este livro é um tesouro, cheio de histórias sobre as filmagens e todo o trabalho criativo envolvido numa produção assim. E é de uma mega-produção que se trata, com todas as pressões e maleitas que um projecto deste género implica. Há histórias de tudo um pouco: esgotamentos nervosos, crises de humor e até discussões acesas entre amigos em pleno "set". Fazer um filme não é fácil, e este livro oferece um testemunho sincero sobre o lado bom e o lado mau da realização do "Sítio das coisas selvagens". Mas não é assim, de bons e maus momentos, que se fazem as coisas boas?

 

De certa forma, é um alívio perceber que uma certa tensão está subjacente a qualquer bom trabalho de equipa. É interessante ler como a dada altura, o cansaço e a exigência diária das filmagens fez com que o ambiente no cenário reflectisse um pouco a história do filme. "As coisas selvagens éramos nós", diz Jonze. Faz-me pensar que este livro dava um óptimo manual de sociologia sobre trabalho em equipa.

 

Por fim, valia a pena falar deste livro só pelo trabalho gráfico e de edição que visivelmente entrou nele. Nada parece ter sido deixado ao acaso, e é um festim visual folhear página após página. As histórias de amizade, as partidas que os elementos da equipa pregavam uns aos outros, as dificuldades com que se debatiam, tudo ganha mais vida com as fotografias e o excelente trabalho de edição do livro.


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16/12/09

Bóra passear?

O Visual Street Performance deste ano ocupou a antiga escola primária da rua das Gaivotas, em Lisboa, e transformou-a numa instalação de arte urbana. Salas de aula pintadas de alto a baixo, quadros a giz completamente graffitados, corredores transformados em tela, etc. Vale mesmo muito a pena ver isto. Não é todos os dias que uma antiga escola é posta nas mãos de um colectivo de artistas de rua com carta branca para fazerem aquilo em que são bons.


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26/09/09

Bóra passear?

Desta vez vamos partir à descoberta da ExperimentaDesign, uma bienal internacional dedicada ao design, arquitectura e criatividade a decorrer em Lisboa até 9 de Novembro, e que este ano tem como tema o tempo ("tempo para agir, tempo para colaborar, tempo para reflectir").

 

Bóra passear?


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