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horizonte artificial

ideias e achados.

Quantos dias cabem numa tarde de abril na Régua?

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Três fotografias do mesmo local, tiradas numa tarde de abril que parecia dividida entre várias estações do ano. Nunca ali tinha estado antes, nem imaginava que tal lugar estivesse no meu caminho. Limitei-me a seguir a linha férrea a partir da Régua, caminhando pela berma da estrada nacional 108 (as duas vias passam mais abaixo deste caminho enlameado), e aproveitei a existência de uma antiga escadaria para aqui chegar, a esta colina retalhada por vinhas com vista para o Douro.

Enquanto ali estive, senti-me como um daqueles personagens da ficção que são arrancados do seu espaço-tempo e projetados para um universo paralelo, inteiramente desconhecido. Foi um bocadinho assim para mim. Passo tanto tempo da minha vida na cidade que não me parecia possível ir parar, por minha exclusiva iniciativa, a um lugar tão bonito e, por algumas horas, só meu. E, afinal, o que é que eu estava ali a fazer? Esperava por um comboio que queria muito fotografar.

As fotografias que fiz resultaram no maior artigo que escrevi até hoje para o SAPO Viagens e, ainda assim, não consegui (não podia) contar ou mostrar lá tudo. O que ficou de fora foram estes momentos passados em vinhas, olivais e apeadeiros ao longo da Linha do Douro, fizesse chuva ou sol (mais sol, felizmente). E a felicidade (assim mesmo, com esta palavra irresponsável) de estar ali, fora do meu meio habitual — no fundo, fora de mim. Perseguir comboios? Recomendo a toda a gente.

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