Nuvens de fotografias

Tiro centenas de fotografias com o telemóvel durante a semana e, chegado a domingo, lá apago outras tantas centenas para arranjar espaço para as próximas. Já tenho uma rotina bem estabelecida para arquivar e sincronizar tantas fotografias, mas há uns anos acabei por me render às limitações de espaço (no telemóvel, nas clouds, nos discos externos e por aí em diante) e tempo (para editar, arquivar e, mais tarde, consultá-las). Ou seja, desisti da ideia de guardar e publicar tudo.
Um dos meus passatempos preferidos passou a consistir em apagar. Apagar até encontrar o número mínimo de fotografias que me permite ainda recordar um momento ou experiência. Regresso a casa com 300 fotografias tiradas no fim-de-semana? O meu desafio passa a ser comprimir essas 48 horas no mínimo possível de instantâneos. Tenho a certeza que já deve existir um termo científico, ou pelo menos uma expressão japonesa, para isto, pela forma como mistura minimalismo, um pózinho de masoquismo e frugalidade.
Tudo isto para explicar que uma das formas que encontrei de dar vazão a tanta fotografia passa por publicar e não ficar agarrado à esperança preguiçosa de que algum dia vou conseguir dar uso a tudo o que vou guardando. Esta fotografia, feita na semana passada, da vista do meu posto de trabalho, é uma das fotografias que salvei do caixote do lixo. Já não me lembro do que estava a fazer, para ainda estar sentado ao computador a olhar pela janela àquela hora, mas o espetáculo lá fora soube a recompensa.