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21/09/19

Mudar os sítios

Acho que foi num blog, mas não posso jurar, que li esta semana algo sobre como é bom encontrar um lugar no mundo para tornar melhor. Quando o li, passei à frente, abri outro separador e foi só mais tarde que a ideia começou a verrumar (sim, descobri este verbo esta semana) cá dentro. O que me impressionou, acho eu, foi a inversão de ideias. Estamos habituados a pensar na mudança de casa, na grande viagem de férias, na estadia no campo como oportunidades para sermos influenciados e mudados (pela nova vizinhança sossegada, pela cultura, pelo bom ar, etc). Raramente pensamos no inverso da medalha, em como é que nós, com a nossa presença, mudamos os sítios.

Trabalho há 12 anos com uma comunidade virtual de pessoas. E se é verdade que os blogs não salvam ninguém, também é verdade que aprendi imenso com eles durante este tempo. Saí da faculdade a aceitar e a respeitar a diferença de opinião, por exemplo, mas foi só aqui que aprendi a valorizá-la, e a reconhecer que a diversidade de perspetivas pode ser esclarecedora e estimulante. Se querem criar e manter um espaço onde pessoas com personalidades e pontos de vista diferentes se possam encontrar, sem lhes dar visibilidade, esqueçam.

Foi aqui que eu aprendi que devemos, e podemos, tentar fazer, sempre, a diferença na qualidade do discurso público e da convivência virtual, mesmo quando deparamos com a indiferença (de quem já desistiu ou não percebe que estamos sempre em posição de mudar os sítios por onde passamos). Dar visibilidade à diferença, à argumentação ou a essa coisa tão simples quanto poderosa como o elogio são alguns dos antídotos para o preconceito, desinformação e cinismo.

Estar exposto à escrita dos outros, feita de vivências e tentativas de dar sentido ao que nos acontece neste pedaço de rocha redondo, ajuda-me, por sua vez, a procurar (ênfase no procurar e não encontrar) o lado positivo de tudo o que me acontece.

A magnitude do privilégio de trabalhar com as confissões, desabafos, ideias desta malta toda só tem comparação com o tamanho da responsabilidade que existe em manter, como parte de uma equipa, um espaço seguro e aberto a quem quer criar, exprimir-se, debater e desabafar (e vão sempre existir blogs enquanto houver internet e humanos a precisarem de desabafar, vão por mim).

E, sim, isto pode só ser grandiloquência, ou uma tentativa de fazer sentido de um trabalho que consiste, essencialmente, de estar sentado a um computador 8 horas por dia. Seja isso ou não, a ideia com que abri este texto fez-me perceber como esta comunidade é um dos sítios que eu espero estar a tornar melhor por cá estar. Porque este sítio, feito de três palavrinhas separadas por dois pontos (que podia teclar de olhos fechados), já me mudou para sempre.

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