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horizonte artificial

ideias e achados.

achados: doSEMENTE

facebook/doSEMENTE

 

Já conhecia a doSEMENTE, mas foi preciso este post da Leonor (que vou, basicamente, repetir aqui) sobre os seus produtos para prestar mais atenção e tratar de experimentar.

 

A doSEMENTE é uma marca criada pela Patrícia Simões para comercializar a sua granola caseira, uma mistura de cereais integrais, sementes, frutos secos e mel que vai bem com iogurte, leite e até gelado. Para já, existem duas variedades de granola de mirtilos à escolha, com ou sem pedaços de chocolate (eu escolhi aquela com chocolate, claro). A preparação da granola é completamente caseira, os ingredientes são de origem nacional e não há açúcar nem aditivos envolvidos. As encomendas são feitas online, através do site da doSEMENTE.

 

Um nome brilhante, um produto de qualidade, embalagens cuidadosamente preparadas, um site simples mas eficaz e uma divulgação que assenta no Facebook, Instagram e no boca a boca (neste caso, no "blog a blog") de quem já experimentou e recomenda. E tudo isto é tanto mais impressionante quanto resulta do trabalho de uma só pessoa. Se querem melhor exemplo do que a criatividade pode fazer, e granola caseira para o pequeno-almoço, então não vão mais longe.

"The joy of discovery"

 

Acima, uma das imagens divulgadas hoje pela NASA das primeiras marcas deixadas pelas rodas da Curiosity na superfície de Marte. Neste artigo da Wired, que revela alguns dos mais pequenos mas fascinantes detalhes desta missão da NASA, descobri que a Curiosity encerra uma mensagem destinada a futuros visitantes de Marte que nela tropecem. A inscrição, numa placa a bordo da sonda, lê o seguinte:

"For millennia, Mars has stimulated our imaginations. First, we saw Mars as a wandering star, a bringer of war from the abode of the gods. In recent centuries, the planet’s changing appearance in telescopes caused us to think that Mars had a climate like the Earth’s. Our first space age views revealed only a cratered, Moon-like world, but later missions showed that Mars once had abundant liquid water. Through it all, we have wondered: Has there been life on Mars? To those taking the next steps to find out, we wish a safe journey and the joy of discovery."

Hopper no Thyssen

(clique para ampliar)

Esforço-me por aceitar que a proibição de fotografia nos museus é um convite (ainda que forçado) à contemplação, mas sinto falta muitas vezes de poder fazer um registo visual de algumas obras que chamam a minha atenção e cuja identificação não posso imediatamente anotar (ou seja, a fotografia como um auxiliar da memória).

Vem isto a propósito da pequena surpresa que o Museu Thyssen de Madrid tem reservada para aqueles que visitarem (até meados de Setembro) a sua exposição temporária dedicada à obra do pintor norte-americano Edward Hopper. Ao entrar na última sala da exposição, deparamo-nos com o cenário acima, a incrível recriação tridimensional da pintura "Morning Sun", da responsabilidade do realizador Ed Lachmann.

A fotografia que tirei e mostro acima, na realidade, é feita da junção de duas fotografias. De outro modo seria difícil mostrar aqui, por inteiro, o cenário construído para a recriação, que inclui uma tela onde é projetada a cidade que se avista da janela do quarto e holofotes que ajudam a reproduzir a luz do sol na pintura. De acordo com o museu, o objetivo da recriação é revelar ao olhar do visitante os artifícios e técnicas do cinema que Hopper usou na pintura. A invenção cumpre o seu objetivo e tem o efeito de colocar o visitante a olhar e tentar "entrar" no cenário através da moldura vazia.

É difícil resistir ao enquadramento e não experimentar subir ao degrau instalado a meio da sala, de onde os visitantes são desafiados a tirar uma fotografia do exato ponto no qual realidade e pintura se encontram. Os visitantes são ainda incentivados a partilhar no twitter as fotografias que fizerem nesta sala, com uma hashtag própria e acompanhadas de uma descrição original, para se habilitarem a ganhar algum merchandising do museu.

A exposição de Hopper é, já de si, um rebuçado para a vista, mas a recriação é uma boa surpresa e incrivelmente original na maneira como nos aproxima da arte em mostra. E, voltando ao início deste post, é refrescante na medida em que reconhece um dos impulsos da maioria das pessoas que visita museus: sair deles com algo que possam mostrar ou contar mais tarde em relação ao que viram (idealmente, como aqui, as duas coisas).