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Devo ter visto mais de 40 filmes no cinema em 2010, graças ao cartão Medeia, e houve de tudo. Filmes que repeti, filmes difíceis de aguentar até ao fim, filmes com os quais impliquei desde o primeiro minuto e outros que esqueci mal saí da sala de cinema. Esta é a lista, com 6 meses de atraso, dos 10 que por vários motivos guardei na memória e recomendo.
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Estômago (2007), Marcos Jorge
Um filme de dar água na boca e a prova de como é pelo estômago que se governam os homens. Caminha ali numa linha ténue entre a insalubridade e a voluptuosidade culinária.
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Entre Irmãos (2009), Jim Sheridan
Irmandade, lealdade e coragem são alguns dos temas desdobrados, mas aquilo que fica é o olhar fixo de Tobey Maguire e a noção de que se pode morrer por dentro. É raro um filme americano deixar tantas perguntas difíceis por responder.
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Um profeta (2009), Jacques Audiard
O filme conduz-nos ao interior de uma cadeia francesa e é rápido a largar-nos a mão. Os primeiros 20 minutos são de uma brutalidade angustiante e revelam em termos seguros como a sobrevivência é o único modo de vida ali permitido.
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Precious (2009), Lee Daniels
Tinha tudo para correr mal: uma história de faca e alguidar passada no Harlem, uma actriz principal desconhecida que traz o seu peso na vida real para o papel, o apoio financeiro da maior personalidade televisiva dos EUA (Oprah Winfrey) e, claro, num papel secundário, Mariah Carey. E mesmo assim não correu nada mal.
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Canino (2009), Giorgos Lanthimos
Uma comédia negra que nos conduz ao interior de uma insuspeita vivenda grega, onde três jovens adultos foram endrominados desde nascença a temerem e evitarem o mundo exterior. Os três são vítimas de uma farsa tão completa que os isola de qualquer noção da vida lá fora ("Mar", é-lhes dito, é uma cadeira) e que tem como arquitectos os próprios pais. Não é um filme para ver com a família.
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Estado de Guerra (2008), Kathryn Bigelow
Um filme de explosões e emoções controladas, sobre o quotidiano no Iraque de um especialista em desmantelamento de bombas do exército americano. Como é que um sítio pode ser tão hostil à normalidade e a violência ser tão impiedosa? É impossível não sair deste retrato do Iraque sem pensar nisso e no que a ficção fica a dever à realidade.
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Um cidadão exemplar (2009), F. Gary Gray
Clyde Shelton, interpretado por Gerard Butler, é um homem fora de controlo, depois de sucumbir a um desejo de vingança total, imparável e inesgotável na sua capacidade para nos surpreender até ao fim com os novos níveis de absurdo a que chega. Um thriller de acção que cumpre a sua parte do acordo, sem fazer perguntas. Da mesma forma, não me perguntem o que está a fazer nesta lista.
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A Rede Social (2010), David Fincher
A história das pessoas que nos fizeram olhar para os nossos amigos como uma forma de entretenimento virtual. Fica a dúvida se gostaríamos de ser amigos de alguma delas. Fiquem atentos aos gémeos (isto é, para quem não tenha visto ainda).
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Um lugar para viver (2009), Sam Mendes
Burt e Verona descobrem que estão à espera de um filho e embarcam numa viagem pela América à procura de um sítio onde possam criar a sua família. Enternecedor, engraçado e uma das melhores bandas sonoras do ano no cinema (a cargo de Alexi Murdoch) ajudam-no a conquistar o lugar nesta lista.
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Humpday (2009), Lynn Shelton
Um reencontro entre dois grandes amigos, uma enorme bebedeira e uma ideia tão tresloucada que faz "A Ressaca" parecer uma brincadeira de crianças. Genuinamente hilariante, capaz de gerar ao mesmo tempo desconforto e ternura. Inesperadamente honesto e um dos melhores filmes que vi em 2010. Não se deixem assustar pela sinopse.