Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

26/06/20

O selo da saudade

pedron18-6765.jpg

Foi uma semana meio desperdiçada, marcada pela falta de energia, sobretudo física, mas também criativa. Por isso, virei-me para o arquivo, onde encontrei esta fotografia de uma praia em Sagres, que me faz pensar num envelope de pedra, com uma aba feita de céu e mar. Olhar para novembro com os olhos de junho, deste junho, ainda parece um bocadinho irreal. O choque e a ansiedade de março já lá vão, mas a normalidade ainda parece estar longe. Aquela normalidade que nos permitia, por exemplo, desligar de tudo nas férias. Não me consigo lembrar de uma única coisa que estivesse a marcar a atualidade em novembro de 2019. A nível pessoal, só recordo o entusiasmo e a pressa que tinha, ao final de cada dia daquelas férias, para ir assistir ao pôr-do-sol no mar.

16/06/20

Alqueva

Dois praticantes de remo em pé junto à barragem do Alqueva

Foi a primeira saída da cidade em quatro meses e juntou o desconfinamento à descoberta do que pode ser descrito como um verdadeiro horizonte artificial. Não houve muito tempo para planear a viagem ou demorar em cada paragem, por isso soube mais a visita de reconhecimento do que a escapadinha. Estava um pouco ávido de me fazer à estrada e de ver e parar em sítios novos. Voltei interessado em saber mais sobre esta região, e já ando a espreitar alguns livros que ajudem a perceber como era antes da barragem e o que mudou com a sua construção. O impacto na paisagem é óbvio e factualmente impressionante (o maior reservatório artificial de água da Europa Ocidental, segundo a Wikipédia). Falta conhecer o resto.

10/06/20

Desconfinamento

Uma atualização ao meu diário diferido sobre o tempo que vivemos, com algumas notas soltas sobre a atual fase de desconfinamento:

  • Não sinto que passaram três meses. O tempo parece ter dilatado e encolhido várias vezes desde que tudo isto começou. A impressão agora é de que voltou a dilatar. Daí me parecer que passou muito mais tempo desde aqueles primeiros dias de março.
  • Nunca deixei totalmente de sair à rua, para comprar bens alimentares ou correr (na realidade, passei a correr mais) durante a fase de confinamento, pelo que não sou daqueles que está a viver o desconfinamento mais intensamente (daquilo que fui lendo nos blogs, houve quem efetivamente tenha conseguido não sair de casa durante estes três meses). Mesmo assim, é um alívio não ter de pensar em cercos sanitários e proibições de deslocações entre concelhos. Acatei e compreendi as restrições aplicadas aos movimentos, mas nem por isso deixei de sentir que a minha liberdade individual esteve condicionada durante aquele tempo.
  • Ao nível do meu quotidiano, para lá de continuar a trabalhar a partir de casa, a única mudança assinalável é que passei a ter sempre comigo uma máscara têxtil, na eventualidade de precisar de entrar em alguma loja ou espaço fechado. Não me causa qualquer transtorno e, à luz do que sabemos hoje sobre a disseminação do vírus (que ainda é muito pouco, diga-se), penso que podíamos ter sido aconselhados mais cedo a usar máscara comunitária no nosso dia-a-dia. Mesmo sabendo que as máscaras comunitárias não filtram partículas mais pequenas, e que, portanto, não oferecem grande proteção, o seu uso generalizado dá-me uma sensação de segurança acrescida. Pergunto-me, por isso, até quando serão obrigatórias em espaços fechados e, depois disso, se as continuarei a usar por opção pessoal.
  • O número de casos na área metropolitana de Lisboa continua a crescer, aparentemente em contra-ciclo ao que está a ocorrer no resto do país, e admito que não sei bem o que pensar dessa evolução. Para já, sinto que não se justifica qualquer alarme social, se continuarmos todos a seguir as recomendações das autoridades de saúde.
  • Voltei a rever, aos poucos e com algumas cautelas (uso de máscara, encontros ao ar livre e mantendo alguma distância), algumas caras amigas. As chamadas e as mensagens escritas são boas, mas nada substitui a presença física. Tenho-me aguentado bem, mas espanta-me, e muito, contar pelos dedos de uma mão, o número de amigos que vi ao vivo nos últimos três meses.
  • Cá em casa, já esplanámos juntos, numa pastelaria perto de casa, que nos pareceu oferecer todas as condições de segurança. A primeira vez foi um pouco a medo, mas as vezes seguintes souberam mesmo muito bem - souberam a limão, para ser exato, que é o sabor da água com gás que costumo pedir.
  • Já lá tinha passado de carro, durante o estado de emergência, e testemunhado o esvaziamento total da Baixa, mas na semana passada voltei a descer a rua Garrett a pé. Visita obrigatória à Bertrand, claro, onde comprei o meu primeiro livro em meses. Estava uma tarde ótima, sem demasiado calor, e mesmo assim, parecia estar tudo a meio-gás. Ainda falta gente à Baixa (eis uma queixa que nunca pensei que faria).
  • Voltei a provar um pastel de Belém, quentinho, com canela. Cada um de nós cá em casa acabou por comer dois. E já repeti a visita.
  • Ainda sobre o tema do tempo, há uma coisa que ainda não me largou: esta ideia de viver numa moldura virtual de 14 dias (o tempo estimado, após o contacto com o vírus, para apresentar sintomas da COVID-19). Dou por mim a pensar no que fiz há 14 dias e a respirar de alívio sempre que alguma visita (a uma loja ou espaço fechado) ou interação social, que na altura me pareceram mais arriscadas, ficam de fora dessa janela de tempo.
  • Entretanto, fiz anos, e foi um dia bem passado por casa, com direito a bolo de laranja caseiro.
  • Terminei cinco livros, incluindo três dos que me propus ler este ano. Também arranjaram um canto de leitura na vossa casa? A minha teoria é de que sinto falta daquele cantinho no comboio onde costumava abrir o livro que carregava comigo, e que se tornou uma espécie de espaço-tempo reservado à leitura (agora abolido).
  • Por falar em transportes públicos, não entro num há exatamente três meses.
  • Não fui à manifestação anti-racismo em Lisboa, mas teria ido, se tivesse sabido dela antecipadamente. No contexto de uma pandemia, acho sensato evitar grandes aglomerações de pessoas, mas a angústia e a revolta com o racismo e a discriminação não são festivais de verão, que podem ser reagendados. Perante as provas de brutalidade policial e discriminação sistémica nos EUA, houve um grande número de pessoas que reconheceu que esses males também estão presentes e ativos na sociedade portuguesa. É por isso que me parece que ir para a rua protestar, com máscara e distância de segurança, só é perigoso para o racismo.
02/06/20

Junho

Um motivo de entusiasmo

Tive de pensar bem nesta, este mês, mas okay, vamos pela chegada do verão.

Um livro

Comecei a ler Anna Karenina, de Leo Tolstoy, e estou a gostar muito. Sei que vou demorar meses, porventura, a terminar, mas sinto aquele entusiasmo de ter começado, nos vários sentidos da expressão, um grande livro.

Aprender

Meti na cabeça que quero fazer umas coisas em origami.

Um post na gaveta

Antes que o esquecimento comece, quero voltar ao tema da pandemia.

Uma fotografia por fazer

A Isa já o fez, e a Ana voltou a lembrar-me da ideia: tentar fotografar a Estação Espacial Internacional no céu noturno.

Um sítio

Gostava de ficar a conhecer o Jardim Tropical de Lisboa, em Belém.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.