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25/01/20

5 leituras de 2019

A Câmara Clara, de Roland Barthes

Qual é a origem do fascínio da fotografia? O que nos prende o olhar? O que tentamos registar ou salvar através de uma fotografia? São algumas das questões que o filósofo francês examina a partir da sua própria experiência, nomeadamente o luto.

Ensaios sobre fotografia, de Susan Sontag

Sontag faz um resumo crítico das principais formas de pensar e promover a fotografia como arte. Ao lê-la, fica claro como a influência da fotografia penetrou e modificou todos os domínios da vida moderna. Por um lado, liberta forças criativas, por outro converte tudo em imagens consumíveis e colecionáveis. Sontag sugere que é possível um meio-termo, mas vai ser preciso encetar uma espécie de ecologia das imagens.

Siddhartha, de Hermann Hesse

Uma enorme surpresa para mim, que só conhecia o livro pelo título. Um daqueles livros que imagino que levaram uma vida, ou uma grande viagem, a ser escritos. Tentei resumi-lo numa frase-relâmpago para os meus amigos e o que me ocorreu é que se trata de um livro de revelações sem revelações. Não faltam momentos em que tudo na narrativa parece preparar uma partilha de grande sabedoria para, logo a seguir, a onda passar por cima de nós e se desfazer em, bom, quase nada. Perante os limites da experiência e do conhecimento, Hesse aponta o caminho da humildade. Na minha leitura de Siddhartha, quando reconhecemos que não podemos conhecer e viver tudo só nos resta dar aos outros o benefício da dúvida e da curiosidade.

Becoming, de Michelle Obama

No palco mundial, ocorrem-me poucas pessoas sem ligação direta ao poder que se tenham destacado quase exclusivamente pelas suas qualidades pessoais. Ler a sua biografia é perceber como a Michelle podia ser a Ana, a Anabela, a Mané, a Rosa, todas as mulheres que conheço e que admiro pela forma como perseguem os seus objetivos pessoais e profissionais sem nunca perderem de vista os seus valores. Quem se propõe a fazer isso, qualquer que seja o tamanho do seu palco, acaba sempre por iluminar o caminho para quem vem a seguir (ou segue à volta).

A invenção do dia claro, de José de Almada Negreiros

A melhor descrição que me ocorre é de que se trata de um caderno de ideias. Deu livro, mas tinha tudo para dar um blog: cabem poemas, pequenas entradas do dia-a-dia, jogos de palavras e desabafos. Era mesmo difícil não gostar.

Aqui fica uma entrada deliciosa:

Um dia foi a minha vez de ir a Paris. Foi necessário um passaporte. Pediram a minha profissão. Fiquei atrapalhado! Pensei um pouco para responder verdade e disse a verdade: Poeta!

Não aceitaram.

Também pediram o meu estado. Fiquei atrapalhado. Pensei um pouco para responder verdade e disse a verdade: Menino!

Também não aceitaram.

E para ter o passaporte tive de dizer o que era necessário para ter o passaporte, isto é - uma profissão que houvesse! e um estado que houvesse!

16/01/20

innersmile

Fiquei a saber na semana passada, pela Telma, que o Miguel, que só conhecia por innersmile e como autor do Um voo cego a nada, morreu. O seu blog foi um dos primeiros em português que descobri e que comecei a seguir. Cheguei a citá-lo algumas vezes no meu antigo Posto de Escuta. Não fui um leitor assíduo nos últimos anos, mas o livejournal do Miguel nunca deixou de ser uma referência para o género de diário virtual que eu próprio gostaria de ter.

A palavra livejournal sempre me pareceu uma alternativa mais feliz ao termo blog. E mais cheia de potencial. Coloca a tónica no conteúdo, na vida, sem esquecer a mediação que é feita pela escrita. E o Miguel escrevia-nos sobre a sua vida a partir dos poemas que lia, das canções que escutava e das leituras que fazia. Sempre ambicionei alcançar esse balanço entre público e privado, entre a minúcia e ponderação de um crítico e o tom desprendido e sincero de uma conversa entre dois amigos a caminharem juntos. A escrita do Miguel conseguia esse meio-termo, com uma acessibilidade que sugeria um espírito culto e generoso.

Mesmo agora, ao pôr em dia a leitura do seu blog (e ainda falta muito para ler), não pude deixar de ficar curioso com alguns álbuns e séries que foi mencionando recentemente. A saúde foi faltando, mas não a atenção para as coisas boas da vida.

Obrigado pela inspiração, Miguel. 

01/01/20

Janeiro

Estou a gostar de fazer estes posts no início de cada mês. Apercebi-me que são uma espécie de índice do blog para o mês que se segue: se os lugares e as experiências que refiro no início do mês se destacarem, vão justificar, mais cedo ou mais tarde, um post.

Um motivo de entusiasmo

Envolve trabalho e uma forma de ajudarmos quem tem blog a passar das ideias à escrita. Mais em breve.

Uma viagem

Para já, não há nada no calendário.

Um livro

Vi-o na televisão, a ser entrevistado pela Cristina Ferreira, e fiquei impressionado com o exemplo de determinação, perante a adversidade, do José Ricardo Vidal. O seu livro, Viver com Alma, é um dos que gostava de conseguir ler este mês.

Aprender

Já fiz algumas, mas gostava de voltar a ter algumas aulas de yoga.

Teatro

Estou a pensar ir até Chicago, a peça, no Teatro da Trindade.

Um post na gaveta

Escrever sobre o meu projeto secreto.

Uma ideia para riscar ou esquecer

Ideia meio louca, fazer um videoclip para uma das minhas músicas preferidas da Márcia. Nunca fiz um vídeo para publicação (nem sei como gravar um vídeo com a minha DSLR..), pelo que isto seria um desafio criativo interessante.

Uma fotografia por fazer

Algumas das minhas fotografias mais impressionantes de 2019 envolvem a força do mar, sob a forma de ondas. Gostava de ver ao vivo, e fotografar, a maior delas, na Nazaré.

Um filme

Na última viagem ao Algarve, no dia em que regressávamos de Sagres, tive tempo para reparar num jovem mochileiro a caminhar à beira da estrada secundária que percorríamos, vazia de mais carros. O sol já tinha desaparecido no horizonte, mas ainda restava luz suficiente para ser dia. Novembro não é a pior altura do ano para percorrer a costa vicentina a pé, mas mesmo assim é normal que o número de pessoas a fazê-lo diminua, sobretudo a sul de Odeceixe (onde o trilho dos Pescadores termina, e passa ser mais difícil seguir a linha da costa). Por saber isso, o meu cálculo mental foi imediato: espanto e um pouco de inveja por quem se propôs, apesar da timidez do sol e da falta de companhia, a fazer aquele caminho a pé. Fiquei a fitá-lo pelo espelho retrovisor e a inveja foi ainda maior quando o vi, nos últimos instantes possíveis, sair da estrada e caminhar livremente pelo campo que se abria paralelo à via. É impossível ter a certeza, a partir de um espelho, para mais de um carro em andamento, mas a sua postura era inequívoca: alívio e encanto por ali estar, a absorver a paisagem, recompensa daquela jornada. Sei que parece que estou a embelezar a coisa toda, mas a força cinematográfica do momento atingiu-me toda naquele instante, sem precisar de pensar no assunto mais tarde. Fui o espetador acidental, por um fugaz acaso, da felicidade única que pode existir na caminhada solitária.

Esta foi uma das imagens mentais mais fortes que trouxe daquela viagem, e sei que vai inspirar mais caminhadas este ano. É também a razão da escolha do filme a ver (por casa) este mês: Wild.

Um sítio

Gostava de ficar a conhecer a Casa da Cerca (aquela imagem de capa é lindíssima, e sugere a possibilidade de mais fotografias de beleza igual), em Almada.

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