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29/12/19

Uma fotografia de 2019

Tatiana-Mosio Bongonga a andar na corda bamba, na Alameda

Desta vez não foi fácil escolher uma fotografia que representasse o meu ano (a de 2018 está aqui). Houve ondas gigantescas, entardeceres únicos e muitos passeios pela natureza. Mas se me perguntassem qual foi a coisa mais incrível que fotografei nesta volta ao Sol, a minha resposta continuava a ser um nome: Tatiana-Mosio Bongonga.

Não sabia bem ao que ia, naquele primeiro dia de junho, mas o convite da Câmara de Lisboa ao público para vir até à Alameda Dom Afonso Henriques assistir a uma mulher a caminhar no vazio parecia tão improvável quanto irresistível. Esperava, pelo menos, conseguir uma fotografia especial. No fim do dia, dei por mim a editar centenas delas. Continua a ser, de longe, o evento do ano de que guardo mais imagens.

Entre tantas, escolhi a fotografia acima porque ilustra bem a dimensão do acontecimento. Milhares de pessoas com os olhos postos numa figura isolada, a caminhar numa corda a 30 metros do chão. Se não fosse arte, seria religião.

Não me ocorre outra circunstância, senão na arte, em que seja possível observar, durante uma hora, alguém a percorrer 300 metros na nossa direção. Essa hora gravou na minha memória (digital e mental) o sorriso da Tatiana, a cada passo mais nítido e cintilante. Era o sorriso inconfundível de quem triunfa sobre o medo e tem consciência de estar a protagonizar um prodígio, da arte e da ousadia humana (dois termos para a mesma coisa provavelmente).

O meu desejo para 2020 é que volte a inspirar e dar-nos a ver mais feitos desta ordem, sem rede nem medo.

21/12/19

Três anos

O Spotify recomendou-me esta incrível canção, Father, dos Hiatus, há uma semana. Hoje, descobri que tem um videoclip à altura, realizado por Karim Kassem. Os dois juntos são uma espécie de catalisador da melancolia, fica a advertência (que é também uma recomendação).

19/12/19

Márcia

Márcia no SAPO e no Coliseu

"Vem passar por dentro da tempestade", canta a Márcia, e foi essa a sensação que ficou de ouvi-la ontem à noite, bem no meio da sala do Coliseu dos Recreios, enquanto a depressão Elsa passeava lá fora.

Fui sozinho, sem guarda-chuva (molhado, portanto) e sem grande vontade de sair de casa, mas saí recarregado de boas vibrações e com a vontade de ter ficado mais um bocadinho a ouvi-la - o indicador de um bom concerto.

Sou marciano desde a primeira vez que a ouvi a cantar Deixa ser com o David Fonseca, embora só a tenha visto pela primeira vez ao vivo em junho, no Porto. O seu quinto álbum Vai e Vem, de 2018, é o que conheço melhor e é uma preciosidade feita de pequenas preciosidades com 2 a 3 minutos.

No início de dezembro, bom destino, a Márcia visitou o SAPO, para uma mini-atuação transmitida na net, e pude dizer-lhe na primeira pessoa o quão especial foi o concerto no Porto. Além dos técnicos e da equipa de comunicação, eu e uma colega éramos os únicos espetadores na sala. Não é todos os dias que temos uma das nossas artistas preferidas a atuar ao vivo só para nós (vá, vamos esquecer as pessoas que sintonizaram pela internet). E foi tão acessível e carismática quanto a sua música sugere. Só alguém assim me faria querer e atrever a pedir a fotografia acima.

Ontem foi um bocadinho diferente, com mais algumas pessoas na sala.. tratou-se do seu primeiro grande concerto a solo e deu para sentir a sua emoção com a chegada a este ponto da carreira. Fez vários agradecimentos ao público, mas o "Obrigado por me trazerem até aqui" foi o mais bonito que me ficou na memória.

Quanto a mim, o que me fascinou mais foi sentir aquele ligeiro arrepio quando começavam as minhas canções preferidas. Depois de horas e horas de audição no Spotify, reconhecê-las fora de casa é um pouco como sair à rua de pijama..

Um dos pontos altos da noite foi cantado com a ajuda do público a partir do camarote presidencial do Coliseu. Não conhecia a sua versão d'A presença das formigas, de Zeca Afonso, mas a liberdade nunca soou tão doce quanto pela voz da Márcia:

Liberdade liberdade
Quem disse que era mentira
Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida

15/12/19

8 livros que podiam aparecer no meu sapatinho

Livros na minha wishlist

Gosto de listas, gosto do Natal, não podia deixar de gostar de wishlists. A ideia não é realmente pedir presentes, nem sequer de ir comprar as coisas que listo. É mesmo pela satisfação de listar, de organizar desejos e, com isso, quem sabe, resistir-lhes...

1. Apollo to the Moon: A History in 50 Objects

Fiz uma pausa na leitura do livro de Andrew Chaikin, sobre o programa Apollo, mas continuo atento a livros sobre o tema. Este, em particular, pisca o olho a quem gosta de listas e fotografia para contar a história da viagem à lua.

 

2. The Making of Tintin: Mission to the Moon, de Benoît Peeters

Por falar em viagens à Lua, a aventura do Tintin deslumbrou-me em miúdo. Este livro conta a história do seu making of e é uma oportunidade para poder regressar a esse cantinho do meu imaginário, com a desculpa de perceber como foi criado.

 

3. Paris Street Tales

Só a ideia de viajar até Paris cansa-me. As distâncias envolvidas, os transportes, as enchentes de turistas, a exorbitância dos preços... é mesmo mais fácil e confortável de explorá-la em livro. Este reúne contos sobre ou passados na cidade, um por cada arrondissement.

 

4. Humans of New York: Stories, de Brandon Stanton

Já o li e falei dele aqui, mas é um daqueles livros que gostava de ter na prateleira.

 

5. Epic bike rides around the world

Aquela capa transporta-me imediatamente. Não ando de bicicleta há coisa de um ano, desde que o meu passe das bicicletas Giras expirou, e estou a acusar a falta dessa liberdade. Andar de bicicleta é uma liberdade, para tomar a via menos direta, para apanhar sol, para sentir o vento na cara, para mostrar que há outras formas de nos movermos. Este livro prendeu-me logo pela capa, muito sugestiva dessas liberdades e dos caminhos que nos esperam mundo fora. Gostava de, pelo menos, saber que caminhos são esses.

 

6. The Institute, de Stephen King

A crítica no NYT ao mais recente livro de King não é entusiasmante, mas li algumas páginas numa livraria e senti a faísca da curiosidade. Sei que vou acabar por ler a edição eletrónica, mas gostava de evitar olhar para um ecrã nas minhas férias de Natal.

 

7. Ficção Curta Completa de H. G. Wells

Já li algumas coisas de H. G. Wells e embora não tenha ficado rendido, gostava de lhe dar uma segunda oportunidade.

 

8. Groundhog Day, de Ryan Gilbey

Um dos meus filmes favoritos de sempre teve direito a um livro sobre o seu making of. Como resistir?

14/12/19

O Porto numa imagem

Frente ribeirinha do Porto

Em Lisboa, vejo o pôr-do-sol como um evento no horizonte, com a ponte 25 de abril como moldura. No Porto, a atenção vira-se, pelo contrário, para a cidade. É nela que o pôr-do-sol é projetado e que, já noite dentro, o espetáculo continua à medida que a frente ribeirinha se vai acendendo. Voltar ao Porto significa voltar a Vila Nova de Gaia e sentar-me para contemplar um dos entardeceres mais bonitos que conheço.

01/12/19

Dezembro

Um dos meus meses preferidos do ano, pelo frenesi de atividade cultural que gera e por ser o mês das listas (do balanço do ano que passou aos planos para o próximo). É um mês tão preenchido que me inspirou a acrescentar mais três categorias à lista.

Um motivo de entusiasmo

Uma palavra: Márcia. Tem um grande concerto marcado para dia 18 em Lisboa, mas é possível que tenha a sorte de a voltar a ver atuar antes disso. Depois conto.

Uma viagem

Estou muito entusiasmado com esta: Porto! Já lá fiz uma passagem de ano, mas não sei como é realmente no Natal. É uma viagem que dispensa condução, por isso vai ser para descontrair por completo.

Um livro

Não consegui começar a leitura do livro Açores a pé, mas já vou a meio do A Man on the Moon: The Voyages of the Apollo Astronauts, por Andrew Chaikin. É um calhamaço de livro, um dos poucos que comprei este ano (por altura do 50º aniversário da chegada da Apollo 10 à Lua), e em relação ao qual não alimentava grandes expetativas, mas que se está mostrar surpreendentemente absorvente e fácil de ler.

Aprender

Categoria chatinha que eu tinha de ir criar... vai continuar vazia este mês.

Teatro

Vou riscar esta já hoje, com a peça Osmarina Pernambuco não consegue esquecer, de Keli Freitas, no Dona Maria II.

Um post na gaveta

Quero voltar a fazer uma wishlist de Natal (a última data de 2015), que não serve realmente para pedir prendas, mas para organizar leituras futuras e estantes virtuais.

Uma ideia para riscar ou esquecer

Criar um clube de leitura no meu círculo de amigos. Até podia ser virtual, mas que permitisse trocar livros e leituras. Parece impossível, não é? No meu caso, talvez seja, mas há por aí alguns sortudos que conseguem.

Uma fotografia

A ideia é fazer da fotografia do último pôr-do-sol do ano uma tradição e encontrar um sítio novo este ano para a tirar.

Um filme

Fácil, a estreia do Episódio IX - A Ascensão de Skywalker. É a única grande saga pipoqueira a que ainda não me tornei imune com o tempo e a quantidade de sequelas. Se alguma coisa, o ciclo atual de lançamentos (um filme no final de cada ano) voltou a entusiasmar-me com a ida ao cinema nesta altura do ano.

Um sítio

Gostava de conseguir ficar finalmente a conhecer a Livraria Solidária de Carnide.

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