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15/08/12

bon iver

Posso voltar atrás? E dizer o quão especial é aquele vídeo ali abaixo, de uma sessão musical ao vivo entre Justin Vernon e Sean Carey (que, ja agora, tem um álbum a solo, intitulado "All we grow", que recomendo)?

Estava a ver o vídeo ontem pela terceira ou quarta vez e comecei a pensar no que torna a música de bon iver tão especial. Por que é que aqueles acordes e falsettos se repercutem tão bem cá dentro?

Existe algo comparável entre a gratificação causada pela sua música e a gratificação que sentimos lá no íntimo com aquela peça de imobiliário que tem as medidas perfeitas para o nosso T0.

E a conclusão meio simplista e totalmente óbvia a que cheguei é que ela nos autoriza a ser melancólicos e tristes enquanto a ouvimos. O segredo da música bon iver reside aí, no que vai buscar à tristeza e como valida a sua autenticidade (podemos fingir e enganar-nos em relação a quase tudo, mas não dá para falsificar tristeza).

Nos três concertos a que fui de Justin Vernon, e presumo que em todos os que ele dá, ele encerrou sempre a noite obrigando a audiência a cantar em coro "What might have been lost". É algo que teve o seu efeito no primeiro concerto, quando provavelmente não éramos mais de três centenas de pessoas, e voltou a ter no segundo, quando já eram alguns milhares. Em Lisboa, foi um Coliseu de Recreios esgotado e a abarrotar a cantar este verso de "The wolves" (do primeiro álbum). Uma canção que fala de um amor perdido e da miséria causada, de uma maneira que convida mais a celebrá-la do que a evitá-la.

Colocar um Coliseu dos Recreios, ou qualquer outra sala de concertos a abarrotar, a cantar "What might have been lost" é a celebração máxima de um desgosto. É autorizá-lo a ele, e a nós, a reconhecer que algo se perdeu e que não faz mal em voltar àquela divisão mal-iluminada e vazia de recompensa que é a tristeza. Pode ser a única coisa verdadeira que resta.

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