Uma carta de amor ao iPad
O Público pediu a Rui Tavares e Miguel Esteves Cardoso que fizessem uma recensão do iPad. O jornal nem precisou de emprestar um ao historiador, que escreveu uma carta de amor ao iPad a partir do próprio aparelho (para provar que não é assim tão difícil teclar sem um teclado físico).
"Ele é um excelente instrumento de input, e de output também. De inserção e de fruição. O que acontece é que ele passa de forma tão ágil de um papel para outro que os mistura numa espécie de contínuo. Mais do que ativo ou passivo, o iPad é um instrumento imersivo. Focamo-nos no que estamos a fazer nele, seguramo-lo com ambas as mãos, temos tendência a curvar-nos um pouco, quase como quem assume posição fetal. Mas também podemos levantar-nos e levá-lo de reunião em reunião como um caderno que nunca chega ao fim e cujas notas ficam facilmente guardadas para sempre. Imagino que ele vá ser muito prático para médicos internos, que passam o dia de um lado para o outro no hospital; o iPad é uma versão extensiva da tradicional prancheta. Mas também desce o ritmo connosco e depois de um dia de trabalho é um excelente companheiro para quem está apenas anichado num sofá. Permite ler livros como numa biblioteca e comprá-los como numa livraria."
Vale a pena ler o resto do texto, sobretudo pela perspectiva histórica que Rui Tavares oferece.