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30/01/10

Bóra passear?

Pensei em fazer as coisas de forma um bocadinho diferente e desta vez sugerir uma pequena incursão por um livro de que gostei bastante recentemente: The Making of "Where the Wild Things are". Como as minhas dicas subtis para o Natal não surtiram efeito, acabei finalmente por encomendá-lo há algumas semanas pela Amazon.

 

Para quem, como eu, apreciou o filme, este livro é um tesouro, cheio de histórias sobre as filmagens e todo o trabalho criativo envolvido numa produção assim. E é de uma mega-produção que se trata, com todas as pressões e maleitas que um projecto deste género implica. Há histórias de tudo um pouco: esgotamentos nervosos, crises de humor e até discussões acesas entre amigos em pleno "set". Fazer um filme não é fácil, e este livro oferece um testemunho sincero sobre o lado bom e o lado mau da realização do "Sítio das coisas selvagens". Mas não é assim, de bons e maus momentos, que se fazem as coisas boas?

 

De certa forma, é um alívio perceber que uma certa tensão está subjacente a qualquer bom trabalho de equipa. É interessante ler como a dada altura, o cansaço e a exigência diária das filmagens fez com que o ambiente no cenário reflectisse um pouco a história do filme. "As coisas selvagens éramos nós", diz Jonze. Faz-me pensar que este livro dava um óptimo manual de sociologia sobre trabalho em equipa.

 

Por fim, valia a pena falar deste livro só pelo trabalho gráfico e de edição que visivelmente entrou nele. Nada parece ter sido deixado ao acaso, e é um festim visual folhear página após página. As histórias de amizade, as partidas que os elementos da equipa pregavam uns aos outros, as dificuldades com que se debatiam, tudo ganha mais vida com as fotografias e o excelente trabalho de edição do livro.



A originalidade começa logo na encadernação, que divide em três o livro e a história dos 5 anos que foram precisos para fazer o filme: Pré-produção, Produção e Pós-produção. São duzentas e tais páginas ao longo das quais é preciso fechar o livro, dar-lhe a volta e continuar a ler.

 

 

A frase que serviu de mote e título ao livro.

 

 


 


Spike Jonze a dar direcções a um actor dentro de uma das criaturas na Austrália, onde foi filmado quase todo o filme. Filmar as criaturas empregando actores em fatos, ao invés de recorrerem totalmente a animações, é referido ao longo do livro como um dos maiores desafios da rodagem do filme. Os actores tinham dificuldades consideráveis a mexerem-se nos fatos (o que é um problema quando se espera que sejam capazes de representar), não conseguiam ver por onde andavam (ao ponto de por vezes atropelarem o Max) e eram obrigados a descansar regularmente.

 

 

O livro começa com uma playlist das músicas ao som das quais o filme foi planeado, filmado e editado. (ampliar)

 

 

 

 


Um exemplo das pequenas anotações que percorrem o livro, a maioria das quais pela mão do próprio Spike Jonze, que as utiliza para legendar fotografias ou contar pequenas histórias passadas com os actores e o resto da equipa.

 


Existe quase uma obsessão com a "autenticidade" das coisas que atravessa a história de como o filme foi feito, da opção de usar actores reais para as criaturas da ilha, passando pela escolha da banda sonora (inspirada no The Langley Schools Music Project) até à forma como a equipa consultava Maurice Sendak (por exemplo, todas as semanas recebia em sua casa um vídeo com o resumo do progresso das filmagens na Austrália).


 


Uma das minhas fotografias preferidas do livro. No centro da fotografia lê-se "A wind at our backs", uma frase que Spike Jonze ou Dave Eggers (que ajudou Jonze com o guião) dizem a certa altura, referindo-se à importância de contarem com o apoio de Maurice Sendak, que resistiu a tentativas anteriores de adaptação para o cinema do seu conto.

 


O livro aborda todos os aspectos envolvidos na realização do filme, e começa com Sendak a explicar a sua inspiração para o conto infantil, publicado originalmente em 1963.

 

 

As "mãos cortadas" que apresentam cada um dos elementos da equipa.

 

 

A história da procura internacional pelo actor que iria desempenhar o papel de Max. No fim, decidiram-se por Max Records, um miúdo com 9 anos de Portland, que já tinha aparecido no videoclip "Stable song" dos Death Cab for Cutie.

 

 

Spike Jonze: "I wanted a kid who was a real kid, who wasn't acting, not a "movie kid" - a child actor who was going to give a "movie kid"-type performance. I wanted a real kid who was going to give a real, emotional performance."

 


Mesmo um detalhe pode parecer gigantesco durante a pré-produção de um filme. O fato de lobo que o Max usa ao longo de todo o filme, por exemplo, exigiu semanas de estudo e "centenas" de diferentes versões. (ampliar)

 

 

O capítulo dedicado à direcção de arte. Nada foi deixado ao acaso. Foi necessário pintar milhares de folhas à mão para dar um ar mais outonal às cenas passadas na floresta.

 

 

A floresta queimada na Austrália onde foi filmada a ilha.

 

 

Até o quarto do Max, que aparece apenas por alguns segundos, foi objecto de planeamento.

 

 

As cenas passadas no barco foram algumas das mais perigosas de filmar. Tento imaginar como terá sido para um puto de 9 anos passar por toda esta aventura de fazer um filme. Crescer não fica muito melhor que isto :-)

 

 

Desenhar, construir, vestir e animar os fatos das criaturas foi um desafio do início ao fim do filme, dos pés à cabeça.

 

 

A lista do Max de todos os ferimentos que susteve durante as filmagens. Como eu percebo o ponto "16" (estou sem fones no trabalho). (ampliar)

 

 

Uma das melhores coisas do livro é que mostra como foram planeadas algumas das cenas mais memoráveis do filme. Em cima, uma composição fotográfica que Jonze improvisou no jardim da sua casa para ilustrar como gostaria que a luta de lama fosse filmada.

 

 

 

 


Um pormenor fixe da encadernação.

 

 

O terceiro livro é dedicado ao trabalho de edição e pós-produção que se seguiu ao período de filmagens. Foram precisos quase dois anos de edição para chegar ao resultado final que vimos no cinema.

 

 

A Karen O e o capítulo dedicado à mágica banda sonora do filme.

A minha música favorita: Rumpus.

 

"heads off and that is lunch".

 

 

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