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31/12/18

Dez livros de 2018

Lord Jim, de Joseph Conrad
Conrad tornou-se nos últimos anos, à medida que vou lendo mais da sua obra, um dos meus autores preferidos, apesar da arrogância que pressinto em alguns momentos da sua escrita. Não encontrei ninguém, até agora, que rivalize com o poder descritivo de Conrad. "Lord Jim" é mais um exemplo acabado do que é possível fazer com esse poder.

 

Viver com os outros, de Isabel da Nóbrega
Um exercício de leitura de mentes entre um grupo de amigos e conhecidos reunidos para jantar e socializar num apartamento lisboeta na década 60. Parte da diversão (ou desafio) deste livro também passa por ser feito quase exclusivamente de diálogos (alguns deles interiores), sem atribuição explícita a esta ou aquela personagem. Não sabia quem era Isabel da Nóbrega até ler este ano um artigo sobre a sua obra, mas o que li suscitou a minha curiosidade. Não me arrependi de ter dado a oportunidade.

 

Humans of New York: Stories, de Brandon Stanton
Já conhecia o Humans da internet e, mesmo assim, não contava gostar tanto deste livro. Cada um de nós tem uma história única para contar, com a qual podemos aprender, rir, chorar e crescer. E é fascinante que baste a um tipo com carisma e uma câmara parar desconhecidos na rua para vermos isso tão claramente.

 

Não respire, de Pedro Rolo Duarte
Já falei deste livro aqui no blog e continuo a pensar nele de vez em quando, sobretudo naquela frase do Pedro sobre o tanto que falta para fazer. Não há tempo e energia a perder.

 

Pão de açúcar, de Afonso Reis Cabral
É um livro que a cada capítulo fica mais perto de um desfecho terrível que, de início, me parecia errado ser apropriado pela ficção. O que é que a ficção pode acrescentar ao que aconteceu à Gisberta? Ou o risco pode mesmo ser o de subtrair algo? Terminada a leitura, pareceu-me que acrescenta alguma humanidade à história da Gisberta e também à daqueles miúdos. Mísero consolo, talvez. Mas já é qualquer coisa para quem não quer acreditar que tudo se perdeu naquele poço.

 

A Cultura Mundo, de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy
Mais um livro de que falei aqui no blog e que recomendo a qualquer pessoa que procure uma moldura para enquadrar e pensar o tempo em que vivemos.

 

O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick
Uma surpresa e o ponto de partida para descobrir a obra de Philip K. Dick, que me parece ter sido um autor invulgar a vários níveis.

 

Call me by your name, de André Aciman
Uma leitura que soube a uma escapadinha de 5 dias pela Itália. Tem a combinação perfeita de horas de sol, refeições ao ar livre e passeios de bicicleta por aldeias italianas. Além de ser uma bela história do primeiro amor (e do mais difícil).

 

Os Filósofos e o Amor, de Aude Lancelin
Por falar em amor, um apanhado muito por alto, mas interessante, das várias formas como esse sentimento foi pensado e explicado ao longo da história. Na falta de um manual para amar, é um belo substituto.

 

Olhando o sofrimento dos outros, de Susan Sontag
Se o livro fosse meu, teria voltado para a estante quase todo sublinhado. Sontag não se demora em contemplações, é muito direta a fazer ligações e a partir para hipóteses de sentido. Como fotógrafo amador e consumidor de notícias é um livro que me parece obrigatório para pensar o lugar privilegiado que ocupamos de observadores da tragédia do nosso tempo e mundo.

24/12/18

Feliz Natal, amigos

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É aquela altura do ano em que apetece chamar amigos a toda a gente, mesmo aqueles que não o foram, mesmo aqueles a quem não o fomos. Que bom que é assim. Espero que tenhamos todos tempo e coragem para tentarmos fazer melhor.

14/12/18

Uma fotografia de 2018

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O ano passado iniciei aqui uma rubrica no blog que consiste em escolher a minha fotografia preferida do ano (a que escolhi em 2017 está aqui). É a desculpa perfeita para abrir a pasta com as fotografias do ano e maravilhar-me com a  aleatoriedade das minhas voltas pela cidade e não só. Há fotografias que irradiam o calor do verão, outras que me fazem recordar o tempo passado em pastelarias.

E depois há fotografias que quase esqueci de ter feito e que me surpreendem como se tivessem sido feitas por outra pessoa. É o caso da fotografia acima. Foi tirada ali no fim de janeiro e gosto de tudo nela. O que parece o resultado de uma escolha intencional, o foco nas mãos dadas, é na realidade o produto de um acidente resultante da pressa com que tirei a fotografia. Gosto especialmente que seja difícil perceber bem o que está a acontecer: o rapaz está a ser puxado (um "vem daí") ou a apoiar a rapariga no skate?

Gosto de pensar que pode ser as duas coisas e de que estamos a ser puxados para a frente quando nos apoiamos uns aos outros.

18/11/18

Uma frase brilhante

"E eu pensava que a vida brilha quando descobrimos uma pessoa nova. É de espantar que haja tanta gente por descobrir e a vida não brilhe sempre."

A frase é de Afonso Reis Cabral, do livro "Pão de Açúcar". Há mais a dizer sobre este livro, que gostei de ler, mas não resisti a começar por aqui. A síntese perfeita daquela sensação, que todos já passámos, de "descobrir uma pessoa nova". Podia ser uma frase dita por uma criança. Não podia ser mais perfeita.

27/10/18

Uma frase de Susan Sontag

"A memória é, dolorosamente, a única relação que podemos ter com os mortos."

A frase é de Susan Sontag e do seu brilhante ensaio sobre o poder da fotografia, intitulado Olhando o sofrimento dos outros. É mesmo um ensaio brilhante, porque nota-se que é um texto que surge como a procura de um posicionamento mais ético em relação às imagens. Admiro qualquer pessoa que tem esta capacidade para parar e colocar-se a si própria em causa. Uma espécie de "Estou a fazer isto bem? Haverá outra forma de agir e pensar em relação a este assunto?".

Quase não passa uma página do livro de Sontag sem que tenha de guardar uma frase, mas a frase acima fez-me estremecer, por fazer tanto sentido para mim e abrir uma série de caminhos que ainda preciso de fazer na sequência da morte do meu pai. No fundo, e falando claro, ao fim de quase dois anos desde a sua morte, desenvolvi este receio de perder também essa relação com ele, se não trabalhar mais as memórias que tenho dele. Isso passa por falar mais dele, e não menos, por confiar recordações à escrita e, sim, falar com ele.

A frase de Sontag tem essa dupla valência para mim. Por um lado, sublinha a necessidade de estimar a nossa memória. Por outro, penso que atribui um significado um bocadinho restrito demais ao exercício da memória, que não se limita à consulta de recordações. Recordar também passa por atualizar e reforçar memórias.

20/10/18

Falar em público

Ontem ao final da tarde fiz algo que já não fazia há bastante tempo: falei em público. Aconteceu num encontro do Clube de Leitura da Cocó na Fralda. Acompanho o blog da Sónia desde que se mudou para o SAPO Blogs e há já algum tempo que sentia curiosidade em relação ao clube. Ontem, finalmente, consegui aparecer e quase derreti com a simpatia com que fui recebido por todas as participantes. Era o único homem no grupo e, aparentemente, o primeiro a aparecer sozinho numa sessão, o que me surpreendeu.

Nunca tinha participado num clube de leitura, mas gostei do formato adotado, no qual cada participante faz uma breve intervenção sobre um livro que tenha lido recentemente. É um formato informal e descontraído que me parecem ser o cunho da própria Sónia como anfitriã e moderadora. Quando chegou a minha vez, não consegui deixar de sentir aquela vertigem que surge com o desafio de falar em público, mesmo tratando-se de um grupo pequeno de pessoas. Acho que atabalhoei um bocadinho as palavras, mas a experiência foi positiva. Se sentem falta, como eu, de mais conversas e encontros à volta de livros, em que se possam trocar impressões e sugestões de leitura, recomendo vivamente que fiquem atentos ao blog da Sónia e apareçam numa futura sessão. Até há bolo...

E o livro que levei comigo? Foi o A Cultura Mundo, de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, dois filósofos interessados em analisar e enquadrar o tempo em que vivemos, as forças que o atravessam e os seus efeitos na vida em sociedade. Gostei de o ler porque faz um excelente retrato da nossa época, sem cair no pessimismo e deixar de apontar algumas possíveis respostas às difíceis questões que ela nos coloca.

14/08/18

10 tweets sobre as bicicletas GIRA

Bicicletas GIRA

  1. Sou utilizador desde junho e conto até agora mais de 150 viagens no sistema - uma média de 2.5 viagens por dia, sobretudo entre o trabalho e o comboio.
  2. Estou viciado.
  3. O meu percurso favorito em ciclovia é entre o Saldanha e o Campo Grande, ao início da noite. Aquela reta enorme paralela ao jardim Mário Soares é uma espécie de A1 das bicicletas.
  4. A bicicleta sempre foi uma espécie de brinquedo, mas quem é que tem as pernas e o luxo de poder suar a caminho do trabalho? A bicicleta elétrica é o brinquedo para todas as faixas etárias e dress codes.
  5. Congestionamento de bicicletas já é uma realidade no centro de Lisboa. Alguma falta de civismo (sobretudo falta de cedência de prioridade aos peões nos sítios onde a ciclovia se cruza com passadeiras) também.
  6. O sistema de pontos torna o sistema ainda mais viciante (já somo 13 mil).
  7. Já vi malta a ciclar com uma mão no guiador e outra a escrever no telemóvel.
  8. Agora que ando mais à superfície, noto como a poluição no centro da cidade é muito real.
  9. Fora das ciclovias, partilhar a estrada com automóveis ainda é uma experiência intimidante e cansativa (é preciso o dobro da atenção).
  10. Andar de bicicleta pelas ruas de Lisboa com amigos. Olá adolescência que nunca tive.

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