Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

01/08/20

Agosto

Um motivo de entusiasmo (e uma fotografia por fazer)

Fiquei parvo quando descobri, no mês passado, que era possível observar a olho nu um cometa no céu noturno, o cometa Neowise. Neste tempo de pandemia, precisamos de todas as distrações, e mais algumas, que nos desafiem a sair de casa para aproveitar o ar livre em segurança - sobretudo quando estão em causa fenómenos irrepetíveis (na nossa esperança de vida, pelo menos, já que este cometa só volta daqui a alguns milhares de anos). Uns dias depois, consultei um simulador do céu noturno (introduzindo a nossa localização, mostra-nos o que vai ser possível observar no céu a dada hora) e desafiei uma amiga a ir comigo à sua procura no céu desimpedido do Cabo da Roca. Quando chegámos, o sol já se tinha posto, mas ainda restava uma faixa de luz laranja no horizonte. Não havia outro remédio senão esperar. Enquanto conversávamos no carro, o céu ia escurecendo lá fora e deixando luzir alguns pontinhos aqui e acolá. Quando demos por isso, lá estava, talvez uns 30 graus acima da linha do horizonte, inconfundível com a sua cauda de gás e poeira. A ciência e a tecnologia garantiram-nos que ia lá estar, mas pasmámos mesmo assim. Parecíamos miúdos que acabam de ver a sua primeira estrela cadente.

Já nos preparávamos para ir embora quando arrisquei tirar uma fotografia ao cometa no céu. Uma hora antes, tinha andado a brincar com a câmara, enquanto não anoitecia totalmente, e ficara desiludido com os resultados. É por isso que a segunda surpresa da noite foi verificar que, sim, até a minha câmara conseguia registar aquele pontinho no céu (com um tempo de exposição de 10 segundos e ISO alto).

A fotografia resultante é para estimar, mas não há volta a dar: ficou desfocada. Em agosto, gostava de voltar a tentar captar o Neowise com a câmara, enquanto ainda é visível no céu noturno.

Se quiserem ver um exemplo das fotografias espantosas que têm sido tiradas em Portugal ao Neowise, espreitem esta fotografia do Pedro Silva, feita na ilha do Pico (só tenho pena que tenha sentido necessidade de colocar aquele texto todo por cima da fotografia).

Um livro

Como se não bastasse uma história de amor e traição, com Anna Karénina, comecei a ler mais uma: O primo Basílio, de Eça de Queirós (obrigado, Pedro, pela recomendação!).

Um post na gaveta

Um tema sobre o qual ando a pensar escrever há algum tempo: o que vai mexendo no arquivo do blog, graças aos visitantes que vão sendo encaminhados para esta página pelos motores de busca. Ou seja, os posts mais consultados, e o que acho que isso diz sobre o que os visitantes procuram e, claro, sobre o meu próprio blog.

Um sítio

Tenho curiosidade para espreitar este Jardim das Marias.

25/07/20

O furor da tristeza

O delírio criativo de La vita nuova, o mais recente teledisco de Christine and the Queens

Imagem retirada do videoclip La vita nuova

"O olho é o mais autónomo dos nossos órgãos. É-o porque os objetos da sua atenção se situam inevitavelmente no exterior. (...) Porque a beleza é onde o olho descansa."

A citação é de Joseph Brodsky, do seu pequeno livro "Marca de Água" (uma declaração de amor a Veneza), que acabei de ler há dias e forneceu uma espécie de ponto de partida para falar aqui do feérico e surpreendente La Vita Nuova de Christine and the Queens, no qual os meus olhos não se fartam de descansar.

Desconfio que há dois tipos de telediscos: os que metemos a passar no Youtube como música de fundo enquanto trabalhamos e os outros — aqueles que, por mais vezes que os tenhamos visto, não conseguimos resistir ver novamente, de fio a pavio. O Vita Nuova é um desses rebuçados audiovisuais. Com 13 minutos de duração, é um vídeo um pouco maior que a média; tem cinco capítulos, um por cada canção do novo EP da Christine, lançado em Fevereiro.

Gosto de tudo no vídeo, a começar pelo trabalho de câmara. Não me surpreendeu saber que o realizador, Colin Solal Cardo, foi um dos responsáveis pelo estilo cinematográfico do projeto La Blogothèque. Aqueles tracking shots, com a câmara em perseguição de Christine pelo telhado e interior da Ópera Garnier, em Paris, lembram algumas das incursões musicais da Blogothèque pelas ruas e marcos da capital francesa. Nunca visitei a Ópera Garnier, mas a sua grandiosidade fica bem à mostra neste teledisco, uma espécie de visita dançada aos seus meandros.

It's true that, people, I've been sad (People, I've been sad)
It's true that, people, I've been gone (People, I've been gone)
It's true that, people, I've been missing out (I've been missing out)

Começa com o amanhecer no horizonte de Paris e um anúncio, desarmante e enternecedor na sua simplicidade: É verdade, malta, que tenho andado triste. É impossível saber a qual das sombras da tristeza (depressão, desgosto, solidão, etc) se refere, mas é como a canção diz: you know the feeling.

Pourrais-tu m’aimer ?
Ça j’en doute
Quand tu ne prends que ce que tu veux de moi
Que tu n’aimes que ce que tu veux de moi
Quand tu ne veux qu’une partie de moi

Falar da música de Christine and the Queens implica reparar na coreografia, aqui a cargo de Ryan Heffington. Um operador de câmara nos seus vídeos tem provavelmente de ensaiar tanto a coreografia quanto um bailarino. É algo que salta mais à vista durante o tema Je disparais dans tes bras, no qual vemos a câmara infiltrar-se num ensaio de dança, para se movimentar livremente no meio dos dançarinos e manter impune aos espelhos a toda a volta — um ato de desaparecimento em si mesmo digno de nota.

There's mountains
Mountains and mountains
And mountains and mountains and mountains
Mountains
Since we met

O operador de câmara não é o único a ser puxado para a dança. O teledisco abunda em imagens-ideias, mas uma das mais notáveis surge ao som de Mountains (we met), que é também uma das minhas canções preferidas. O parceiro de dança aqui é o operador de som (ou bailarino disfarçado de técnico de som). A imagem de Christine a perseguir o microfone como quem procura o ouvido da pessoa amada, ou simplesmente de alguém com quem partilhar a sua melancolia, é assombrosamente comovente. De resto, a ideia de cantar sobre um desgosto de amor em termos geológicos é de uma inspiração fulgurante (e, falando da minha experiência pessoal, emocionalmente rigorosa).

Coming to dust, nothing's here protected

Parte da razão para a Vita Nuova soar tão lúbrica ao ouvido é o seu multilinguismo e a facilidade com que Christine desliza entre o francês, inglês, italiano e castelhano. Não sei ao certo o que é (pode só ser a minha francofilia), mas há algo de sedutor no inglês (das quatro, a única língua que domino) modulado por um falante francês.

Voglio che tu mi tocchi con la tua rabbia
Voglio che tu mi tocchi con il tuo furore
Questa è la rinuncia della tua vergogna
Voglio fare l'amore con questa canzone

Sou fã de Christine desde, bem, Christine, outra demonstração sua do que a conjugação perspicaz da música, coreografia e videografia pode gerar. A estes elementos criativos, Vita Nuova junta mais um, o furore. É a palavra certa para descrever a paixão necessária para inspirar e produzir um delírio audiovisual destes, sublime na melancolia e febril na paixão.

PS: Já depois de escrever este post, encontrei uma curta entrevista a Héloïse Letissier com o título perfeito para falar de La vita nuova: Como curar um corpo triste? Dançando.

01/07/20

Julho

Um motivo de entusiasmo

O seu lançamento foi novamente adiado ontem (para agosto, provavelmente), mas vou passar julho, e a primeira metade de agosto, com os olhos postos na Perseverance.

Um livro

Continuo a ler Karénina, e a desfrutar de cada capítulo. Vou na página 200 e tal, e já tive um momento de espanto como há muito não tinha com um livro (não vou dizer mais, para não estragar a surpresa a quem ainda vá ler). É um romance que continua a surpreender-me todos os dias. Dou por mim frequentemente a expressar espanto por ter sido escrito no final do século XIX. A qualidade cinematográfica das descrições e analogias é verdadeiramente impressionante. Vou levar mais livros comigo de férias, mas este continua a superar todas as expetativas.

Uma fotografia por fazer

Esqueci-me totalmente da fotografia por fazer de junho, por isso, a ver se é desta que faço uma fotografia ao céu noturno.

Um filme

Vi esta cena, totalmente fora de contexto, e fiquei sem saber o que fazer do que vi (quem são aquelas pessoas? como se conheceram? o que está a acontecer? o que vai acontecer?). Por isso, o próximo filme, vai ser Les amants du Pont-Neuf.

Um sítio

Mais um espaço para observar a natureza, o Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena, em Sesimbra.

26/06/20

O selo da saudade

pedron18-6765.jpg

Foi uma semana meio desperdiçada, marcada pela falta de energia, sobretudo física, mas também criativa. Por isso, virei-me para o arquivo, onde encontrei esta fotografia de uma praia em Sagres, que me faz pensar num envelope de pedra, com uma aba feita de céu e mar. Olhar para novembro com os olhos de junho, deste junho, ainda parece um bocadinho irreal. O choque e a ansiedade de março já lá vão, mas a normalidade ainda parece estar longe. Aquela normalidade que nos permitia, por exemplo, desligar de tudo nas férias. Não me consigo lembrar de uma única coisa que estivesse a marcar a atualidade em novembro de 2019. A nível pessoal, só recordo o entusiasmo e a pressa que tinha, ao final de cada dia daquelas férias, para ir assistir ao pôr-do-sol no mar.

16/06/20

Alqueva

Dois praticantes de remo em pé junto à barragem do Alqueva

Foi a primeira saída da cidade em quatro meses e juntou o desconfinamento à descoberta do que pode ser descrito como um verdadeiro horizonte artificial. Não houve muito tempo para planear a viagem ou demorar em cada paragem, por isso soube mais a visita de reconhecimento do que a escapadinha. Estava um pouco ávido de me fazer à estrada e de ver e parar em sítios novos. Voltei interessado em saber mais sobre esta região, e já ando a espreitar alguns livros que ajudem a perceber como era antes da barragem e o que mudou com a sua construção. O impacto na paisagem é óbvio e factualmente impressionante (o maior reservatório artificial de água da Europa Ocidental, segundo a Wikipédia). Falta conhecer o resto.

10/06/20

Desconfinamento

Uma atualização ao meu diário diferido sobre o tempo que vivemos, com algumas notas soltas sobre a atual fase de desconfinamento:

  • Não sinto que passaram três meses. O tempo parece ter dilatado e encolhido várias vezes desde que tudo isto começou. A impressão agora é de que voltou a dilatar. Daí me parecer que passou muito mais tempo desde aqueles primeiros dias de março.
  • Nunca deixei totalmente de sair à rua, para comprar bens alimentares ou correr (na realidade, passei a correr mais) durante a fase de confinamento, pelo que não sou daqueles que está a viver o desconfinamento mais intensamente (daquilo que fui lendo nos blogs, houve quem efetivamente tenha conseguido não sair de casa durante estes três meses). Mesmo assim, é um alívio não ter de pensar em cercos sanitários e proibições de deslocações entre concelhos. Acatei e compreendi as restrições aplicadas aos movimentos, mas nem por isso deixei de sentir que a minha liberdade individual esteve condicionada durante aquele tempo.
  • Ao nível do meu quotidiano, para lá de continuar a trabalhar a partir de casa, a única mudança assinalável é que passei a ter sempre comigo uma máscara têxtil, na eventualidade de precisar de entrar em alguma loja ou espaço fechado. Não me causa qualquer transtorno e, à luz do que sabemos hoje sobre a disseminação do vírus (que ainda é muito pouco, diga-se), penso que podíamos ter sido aconselhados mais cedo a usar máscara comunitária no nosso dia-a-dia. Mesmo sabendo que as máscaras comunitárias não filtram partículas mais pequenas, e que, portanto, não oferecem grande proteção, o seu uso generalizado dá-me uma sensação de segurança acrescida. Pergunto-me, por isso, até quando serão obrigatórias em espaços fechados e, depois disso, se as continuarei a usar por opção pessoal.
  • O número de casos na área metropolitana de Lisboa continua a crescer, aparentemente em contra-ciclo ao que está a ocorrer no resto do país, e admito que não sei bem o que pensar dessa evolução. Para já, sinto que não se justifica qualquer alarme social, se continuarmos todos a seguir as recomendações das autoridades de saúde.
  • Voltei a rever, aos poucos e com algumas cautelas (uso de máscara, encontros ao ar livre e mantendo alguma distância), algumas caras amigas. As chamadas e as mensagens escritas são boas, mas nada substitui a presença física. Tenho-me aguentado bem, mas espanta-me, e muito, contar pelos dedos de uma mão, o número de amigos que vi ao vivo nos últimos três meses.
  • Cá em casa, já esplanámos juntos, numa pastelaria perto de casa, que nos pareceu oferecer todas as condições de segurança. A primeira vez foi um pouco a medo, mas as vezes seguintes souberam mesmo muito bem - souberam a limão, para ser exato, que é o sabor da água com gás que costumo pedir.
  • Já lá tinha passado de carro, durante o estado de emergência, e testemunhado o esvaziamento total da Baixa, mas na semana passada voltei a descer a rua Garrett a pé. Visita obrigatória à Bertrand, claro, onde comprei o meu primeiro livro em meses. Estava uma tarde ótima, sem demasiado calor, e mesmo assim, parecia estar tudo a meio-gás. Ainda falta gente à Baixa (eis uma queixa que nunca pensei que faria).
  • Voltei a provar um pastel de Belém, quentinho, com canela. Cada um de nós cá em casa acabou por comer dois. E já repeti a visita.
  • Ainda sobre o tema do tempo, há uma coisa que ainda não me largou: esta ideia de viver numa moldura virtual de 14 dias (o tempo estimado, após o contacto com o vírus, para apresentar sintomas da COVID-19). Dou por mim a pensar no que fiz há 14 dias e a respirar de alívio sempre que alguma visita (a uma loja ou espaço fechado) ou interação social, que na altura me pareceram mais arriscadas, ficam de fora dessa janela de tempo.
  • Entretanto, fiz anos, e foi um dia bem passado por casa, com direito a bolo de laranja caseiro.
  • Terminei cinco livros, incluindo três dos que me propus ler este ano. Também arranjaram um canto de leitura na vossa casa? A minha teoria é de que sinto falta daquele cantinho no comboio onde costumava abrir o livro que carregava comigo, e que se tornou uma espécie de espaço-tempo reservado à leitura (agora abolido).
  • Por falar em transportes públicos, não entro num há exatamente três meses.
  • Não fui à manifestação anti-racismo em Lisboa, mas teria ido, se tivesse sabido dela antecipadamente. No contexto de uma pandemia, acho sensato evitar grandes aglomerações de pessoas, mas a angústia e a revolta com o racismo e a discriminação não são festivais de verão, que podem ser reagendados. Perante as provas de brutalidade policial e discriminação sistémica nos EUA, houve um grande número de pessoas que reconheceu que esses males também estão presentes e ativos na sociedade portuguesa. É por isso que me parece que ir para a rua protestar, com máscara e distância de segurança, só é perigoso para o racismo.
02/06/20

Junho

Um motivo de entusiasmo

Tive de pensar bem nesta, este mês, mas okay, vamos pela chegada do verão.

Um livro

Comecei a ler Anna Karenina, de Leo Tolstoy, e estou a gostar muito. Sei que vou demorar meses, porventura, a terminar, mas sinto aquele entusiasmo de ter começado, nos vários sentidos da expressão, um grande livro.

Aprender

Meti na cabeça que quero fazer umas coisas em origami.

Um post na gaveta

Antes que o esquecimento comece, quero voltar ao tema da pandemia.

Uma fotografia por fazer

A Isa já o fez, e a Ana voltou a lembrar-me da ideia: tentar fotografar a Estação Espacial Internacional no céu noturno.

Um sítio

Gostava de ficar a conhecer o Jardim Tropical de Lisboa, em Belém.

25/05/20

Interrupção à normalidade

Estava a precisar de começar um livro novo, e virei-me para o Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago, que aguardava na estante há uns anos. Tinha vaga ideia de se tratar de uma espécie de Ensaio sobre a Cegueira virada do avesso, e fiquei surpreendido por perceber que é quase uma sequela, com pontos de ligação à história e personagens do romance anterior.

A ideia de uma cidade inteira a votar em branco tem tanto de estapafúrdio quanto a população de um país a cegar de um dia para o outro, mas conhecendo a obra de Saramago, e o que ele consegue fazer com situações que desafiam a verosimilhança, rendi-me à curiosidade.

Se tivesse que contrastar muito rapidamente a Cegueira e a Lucidez, diria que este romance concentra-se naquilo que o primeiro empurrou para fora do caminho, que é o lado político. A Cegueira é um livro sobre a perda da humanidade numa situação-limite, cuja evolução ultrapassa rapidamente qualquer possibilidade de intervenção política. É nesse ponto que o enredo da Lucidez pára o relógio, a tempo de evitar a desagregação total e de nos deixar ver como é que o poder político reage a um fenómeno novo que não compreende e, portanto, tem tudo para recear.

Uma história sobre as maquinações do poder político tem tudo para me interessar, mas senti problemas logo à partida, com aquela impessoalidade característica que Saramago aplica a algumas situações, por servirem de exemplos de uma realidade maior. Uma espécie de "não vale a pena demorarmos muito nestes personagens, porque são apenas um exemplo em mil". Percebo a utilidade do mecanismo, mas isso fez com que tenha dado por mim sempre a calcular as hipóteses do próximo personagem sem nome ser o nosso protagonista. Foi preciso chegar a meio do livro para ter um vislumbre da direção na qual a narrativa seguiria, e mesmo depois disso, dei por mim a olhar constantemente pelo ombro, como quem duvida das direções recebidas.

Apesar dessas ligeiras frustrações de leitor impaciente, estaquei quando cheguei à parte do muro. Não quero spoilar nada a ninguém, por isso basta dizer que foi nesse ponto que o livro deu uma reviravolta para mim. O que passava por estapafúrdio, passou a parecer, a este leitor do ano 2020, uma descrição desconcertante dos males que afligem atualmente algumas das democracias ocidentais. Está lá tudo: a prepotência, o culto da ignorância e a manipulação pela comunicação em massa. Nada disto é novo, nem sequer a ideia do muro, mas é difícil não ver e sublinhar as semelhanças entre aquilo que Saramago imagina e a real interrupção à normalidade que vivemos.

Feito esse paralelo, o que podemos aprender com a Lucidez de Saramago, e trazer para os nossos tempos de incerteza? Recusar a culpabilização, que serve como forma de distração, e leituras simplistas da realidade, baseadas na noção de que a realidade pode ser aquilo que o poder político quer que seja, são dois pontos de partida.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.