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17/04/19

No Palácio de Belém

FullSizeRender.jpgJá estou um bocadinho atrasado, para "salvar" uma fotografia, tirada na semana passada, da memória do meu telemóvel, mas aqui fica. Foi feita no gabinete oficial do Presidente da República, no Palácio de Belém, e mostra a mesa e as cadeiras onde o Presidente e o primeiro-ministro (já disse que é meu vizinho agora?) se sentam, todas as quintas-feiras, para discutirem o estado do país. Tirei a fotografia no decorrer de uma visita guiada ao Palácio, que me permitiu riscar um item da minha lista de coisas que há muito queria fazer com a minha mãe.

Voltando à imagem, o que me chamou a atenção no gabinete, que só é usado de forma protocolar (o gabinete de trabalho "a sério" do Presidente não pode ser visitado), foi mesmo esta zona para receber o primeiro-ministro (e outros convidados, claro). O contexto é palaciano, é certo, mas a marca do imobiliário é decididamente democrática, quando pessoas que representam diferentes poderes conseguem sentar-se à mesma mesa e, simplesmente, conversar.

A visita-guiada, que pode ser marcada por e-mail, ainda inclui a passagem pelos jardins do Palácio e o bilhete normal custa 5€. É uma hora e meia bem passada, vão por mim. Se só quiserem espreitar, fica o recado: aproveitem que no dia 25 de abril o Palácio vai estar aberto, de forma gratuita, a todos.

12/04/19

A pergunta

Uma das formas que encontrei de alimentar este blog passa por colocar a mim próprio esta pergunta simples: qual foi a coisa mais assinalável que me aconteceu ou encontrei durante a semana? Pois bem, na semana passada, foi mesmo uma pergunta que me fez abrir os olhos de espanto:

"O que farias na tua vida se o dinheiro não fosse um problema?"

É uma pergunta que já vi feita antes a outros, claro, mas que nunca me foi colocada assim, num contexto inesperado e por alguém que não tem qualquer motivo, além da mera (mas potente) curiosidade, para se mostrar interessada na minha vida. O que realmente me surpreendeu, todavia, foi a minha reação interior - o espanto e aquela secreta satisfação que se misturaram cá dentro por ter alguém a expressar curiosidade por algo meu, neste caso, os meus potenciais projetos pessoais.

Trabalho a dar atenção aos outros (espremido muito bem, é nisso que consiste trabalhar com uma comunidade de pessoas) e, mesmo assim, doze anos depois (feitos este mês!), ainda me surpreendo com um momento destes e com o efeito que podemos ter nos outros quando, de forma desinteressada, mostramos curiosidade pelos seus pensamentos e ambições.

E, sim, continuo a pensar na resposta à pergunta.

07/04/19

Nuvens de fotografias

image1.JPG

Tiro centenas de fotografias com o telemóvel durante a semana e, chegado a domingo, lá apago outras tantas centenas para arranjar espaço para as próximas. Já tenho uma rotina bem estabelecida para arquivar e sincronizar tantas fotografias, mas há uns anos acabei por me render às limitações de espaço (no telemóvel, nas clouds, nos discos externos e por aí em diante) e tempo (para editar, arquivar e, mais tarde, consultá-las). Ou seja, desisti da ideia de guardar e publicar tudo.

Um dos meus passatempos preferidos passou a consistir em apagar. Apagar até encontrar o número mínimo de fotografias que me permite ainda recordar um momento ou experiência. Regresso a casa com 300 fotografias tiradas no fim-de-semana? O meu desafio passa a ser comprimir essas 48 horas no mínimo possível de instantâneos. Tenho a certeza que já deve existir um termo científico, ou pelo menos uma expressão japonesa, para isto, pela forma como mistura minimalismo, um pózinho de masoquismo e frugalidade.

Tudo isto para explicar que uma das formas que encontrei de dar vazão a tanta fotografia passa por publicar e não ficar agarrado à esperança preguiçosa de que algum dia vou conseguir dar uso a tudo o que vou guardando. Esta fotografia, feita na semana passada, da vista do meu posto de trabalho, é uma das fotografias que salvei do caixote do lixo. Já não me lembro do que estava a fazer, para ainda estar sentado ao computador a olhar pela janela àquela hora, mas o espetáculo lá fora soube a recompensa.

05/04/19

Um sinal na rua do Universo

Há umas semanas fui ao Porto, à rua do Universo (se isso não é sinal de que se está prestes a assistir a algo de especial, podem desligar os radiotelescópios espalhados pelo mundo), para ser encantado pelo "Moving with Pina", que a própria autora, Cristiana Morganti, descreve como uma "conferência dançada". É uma forma intrigante de descrever um espetáculo, mas também muito precisa. É uma conferência, em que a Cristiana reconta, sozinha em palco, a sua experiência de trabalhar com a coreógrafa Pina Bausch, e é dançada porque está semeada de pequenos momentos de dança, protagonizados pela própria Cristiana, que servem para ilustrar algumas das deliciosas histórias que a bailarina tem para partilhar. O espetáculo é encantador, sobretudo para quem está familiarizado com a obra de Pina Bausch, mas também para quem, como eu, teve um contacto tardio com o seu universo a partir do filme "Pina", de Wim Wenders (já absolutamente recomendado aqui).

Feita a recomendação, passo ao recorte que eu queria realmente deixar aqui. A Cristiana contava, a dado ponto, como a Pina tinha uma atenção quase "sobrenatural" aos mais ínfimos gestos e movimentos dos bailarinos. E serviu-se de um exemplo curioso para mostrar isso. Uma das coreografias da Cristiana obrigavam-na a usar um vestido de época, em forma de balão, que lhe escondia totalmente as pernas e os pés. Foi para seu total espanto, portanto, que se viu na mira de uma observação da coreógrafa, durante um dos ensaios, sobre a forma como estava a manter as pernas abertas debaixo da enorme saia. A bailarina defendeu-se com o argumento que precisava de manter assim as pernas para conservar o equilíbrio, dado o peso do vestido. A resposta da Pina, que não cito exatamente igual, saiu incisiva e pronta-a-publicar em qualquer manual de life coaching: "Junta as pernas. A parte interessante do teu papel é esse, ver-te a lutar com uma dificuldade." 

Obrigado, rua do Universo.

22/03/19

Os dois projetos em que votei para o orçamento participativo de Lisboa

Este ano, pela primeira vez, interessou-me espreitar com mais atenção os projetos que estão a votos no orçamento participativo (OP) de Lisboa. Os projetos resultam de propostas feitas por cidadãos que entretanto foram validadas e escolhidas pela câmara. Na fase atual, só resta votar nas propostas que devem ser incluídas no orçamento anual da câmara. Cada pessoa pode votar em dois projetos: um projeto transversal à cidade, e portanto com maior orçamento, e outro de âmbito mais local (pelo que percebi, por cada grande zona da cidade é eleito um projeto local).

 

Biombo de lamelas em tela semirrígida a circundar elevadores à noite

O título é um bocadinho críptico, mas depois de perceber a que elevadores se refere (os ascensores antigos no centro da cidade), faz sentido. Tratam-se de ícones da cidade (mais do que meios de transporte) que são permanentemente alvo de vandalismo e a instalação de proteções é capaz de gerar alguma poupança na sua limpeza e recuperação. É considerado um projeto Estruturante, presumivelmente por abranger vários locais da cidade.

 

Reformulação da Pista clicável do Jardim do Campo Grande - Norte

Não vivo na zona do Campo Grande, raramente passo por lá à superfície, mas quando o faço é de bicicleta... e passar na ciclovia paralela ao jardim Mário Soares é como atravessar um pequeno caminho de obstáculos. As raízes das árvores à volta foram lentamente abrindo brechas em plena via, resultando num mar de lombas que é necessário contornar com cautela. O resumo do projeto não diz especificamente que é disto que trata a reformulação, mas mesmo que não seja, já tem o meu voto. A ser isto, claro, continua a não estar entre as coisas mais importantes ou críticas para a cidade, mas é um dos projetos locais que me dizem qualquer coisa, por conhecer e passar na zona.

06/02/19

A minha rotina

A meio da semana passada, foi preciso formatar o computador que uso e instalar um novo sistema operativo. Com o alojamento na nuvem e os mecanismos de sincronização, repor tudo não foi exatamente como começar do zero, mas fez-me pensar nos serviços e atalhos que fazem a minha rotina diária. Achei que listá-los aqui podia dar um post interessante a quem, como eu, gosta de espreitar as rotinas dos outros.

 

Ao computador

O Firefox é o meu navegador de eleição desde que comecei a trabalhar e que me deparei com as limitações do Internet Explorer. Utilizo o mecanismo de sincronização do Firefox para ter os mesmos atalhos de navegação (vulgo, marcadores) em qualquer computador que esteja. Não uso ad-blockers nem nada do género, mas tiro sempre algum tempo para alterar as configurações pré-definidas e restringir o uso de cookies ao máximo (mais sobre isto abaixo).

Os meus atalhos mais usados estão relacionados com o trabalho: o SAPO Blogs, a página dos posts mais recentes publicados na plataforma (para seguir o vai sendo publicado), um marcador que converte um post de um blog SAPO num destaque, um atalho para guardar um post para ler mais tarde (através do Pocket) e um atalho para suspender SPAM (vamos só dizer que o SPAM mexe muito comigo).

Fora do trabalho, é muito provável que tenha algum destes atalhos abertos durante o dia: a homepage do NY Times, o Twitter, o Público e o Techmeme.

Documentos pessoais, ficheiros de imagem e fotografias, guardo quase tudo no Dropbox e na MEO Cloud, para evitar perdas acidentais e ser mais fácil repor tudo quando mudo de computador ou, como esta semana, de sistema operativo. Uma vez por ano, copio tudo para um disco externo, de modo a ter sempre uma cópia física das coisas que me são mais importantes (uso dois discos externos da Seagate).

 

Para fazer listas

Crio listas para tudo. É a forma que encontrei de fragmentar ideias ou projetos em pequenas tarefas que podem ser assinaladas e arquivadas à medida que as vou fazendo. Isso permite-me colocar um projeto, ou um frete, à escala da minha atenção (muito volátil) e preguiça (muito constante). Se tiver de fazer logo tudo de uma vez, o mais provável é protelar eternamente.

Uma das coisas que mais me diverte é precisamente converter uma resolução ou objetivo em lista. Quero conhecer mais sítios novos? Faço uma lista de sítios novos na cidade, organizados por bairro, para ter sempre à mão no telemóvel. Quero ler mais? Crio uma lista com todos os livros que quero ler, distribuídos pelas bibliotecas onde os posso encontrar. Atravessar a cidade, aliás, para ir buscar livros, tornou-se um dos meus pretextos preferidos para passear e não andar sempre pelas mesmas zonas (isto embora as bibliotecas municipais funcionem em rede, e seja possível pedir o transporte de um título de uma biblioteca para outra).

E onde faço as listas? Já experimentei alguns serviços e aplicações, e acabei por me decidir pelo Google Keep. A principal vantagem que lhe reconheço é a de ser um serviço gratuito, sem que isso afete a sua viabilidade a longo prazo. A facilidade de utilização e a sincronização entre telemóvel e desktop também são importantes. Por fim, ajuda tratar-se de um serviço sem grandes ambições. Não preciso da "última palavra em produtividade" ou da "aplicação número 1 em organização". Só mesmo de uma aplicação que me permita criar uma lista de forma rápida e que possa consultar em todo o lado.

 

Para me organizar

No trabalho uso uma agenda em papel, mas o meu calendário principal está no Google Calendar. Gosto muito da ideia de manter uma agenda ou de fazer apontamentos por escrito, ao ponto de ter uma pequena montanha em casa de cadernos, mas nada bate a conveniência do bloco de notas que está sempre connosco (o telemóvel) e a facilidade com que podemos pesquisá-lo. Não aceito pedidos automáticos de reunião (se o assunto justifica combinar uma reunião, não é preciso comprometer-me uma segunda vez) e passo manualmente todos os eventos e reuniões para o meu calendário.

Dependo quase exclusivamente do e-mail (uso o SAPO Mail, onde tenho pelo menos 3 contas pessoais, para não falar de outras tantas de trabalho, e o GMail) e evito ao máximo fazer chamadas telefónicas. Se o assunto não for urgente, prefiro organizar as ideias por escrito e enviar um e-mail. Quando é mesmo preciso, sou o tipo de pessoa que é capaz de anotar uma lista de pontos para guiar a conversa e garantir que o telefonema não desperdiçou o tempo das duas partes.

Outros serviços presentes no meu dia-a-dia que vale a pena referir: o Goodreads (uma estante virtual para quem depende quase exclusivamente de bibliotecas) e o Flickr (para pesquisar algumas imagens para uso, com permissão dos autores, no trabalho).

 

ambientedetrabalho.jpg

Há anos que ando a pedir para ver o ambiente de trabalho dos outros, por isso aqui fica o meu, sem retoques nem embelezamentos.

 

No telemóvel

Faço o possível para ter o mínimo de aplicações instaladas no meu telemóvel, por motivos de espaço e de segurança, mas há algumas que são essenciais, sobretudo por fornecerem serviços que praticamente só estão disponíveis em telemóvel:

  • Spendee: a aplicação onde anoto quase todas as despesas que faço no meu dia-a-dia. Sim, todas as despesas. Todos os dias. Desde 2014. Reconheço que é um hábito um bocadinho obsessivo, mas de que outro modo poderia saber que, em 2018, gastei 57,12€ em livros (na maioria, para oferecer)? A minha categoria de despesas mais curiosa chama-se Erros e é dedicada àquelas rasteiras que a pressa, a procrastinação ou simplesmente a nossa inépcia nos prega. Em 2018, o valor das minhas despesas nessa categoria foi de.. 373,24€. Um valor estonteante, com algumas histórias por trás que prefiro não contar (mas com as quais, quero acreditar, aprendi qualquer coisa).
  • MB Way: no meu círculo de amigos, fui o primeiro a aderir, o primeiro a ser olhado de lado por falar na app e o primeiro a franzir o sobrolho quando a coisa finalmente explodiu e colocou toda a gente a rachar entusiasticamente jantares de amigos por essa via.
  • Duolingo: a forma que descobri de treinar o vocabulário de outra língua de forma diária e de diminuir a minha dependência de outras aplicações (estou a olhar para ti, Instagram).
  • LisboaMove-me e GIRA: são as duas aplicações de que mais dependo hoje em dia para me mover em Lisboa. Apesar do interface datado, e da fraca usabilidade, a aplicação do LisboaMove-me continua a ser a forma mais rápida de consultar os horários da Carris (e só ocupa 2 megabytes no telemóvel, por oposição aos 44 megabytes da aplicação oficial da Carris). E, claro, o Google Maps.

 

Privacidade

Todas as ferramentas e serviços que refiro acima estão na internet. E é por usar tanto a internet que me parece importante tentar ser um bocadinho mais pró-ativo a definir a forma como os sites e serviços que consulto recolhem dados sobre a minha utilização. É uma guerra perdida à partida (os algoritmos modernos, combinados com alguns truques psicológicos, permitem fazer alguns cálculos razoavelmente seguros sobre quem somos e o que fazemos online), mas nem por isso devemos baixar os braços.

Como já tinha mencionado, não instalo extensões nem plugins nos browsers para bloquear publicidade e cookies, mas faço sempre questão de alterar as definições originais dos navegadores ao nível da privacidade. Não permito o uso de cookies de terceiros (ou seja, se estou a visitar um site, apenas aceito cookies relacionados com a utilização que estou a fazer desse site e mais nada) e mesmo aqueles que permito é só até fechar o navegador. Só aplico exceções àquelas páginas e serviços que uso diariamente, nos quais, de outro modo, seria demasiado oneroso estar sempre a autenticar-me (são os cookies que permitem manter a autenticação). Mesmo assim, tento apagar regularmente toda a memória dos navegadores.

 

Para me inspirar

Por fim, são as ideias, os locais e as pessoas que alimentam os meus planos e listas. Vou buscar algumas destas coisas a estes sítios:

  • Livros: seja qual for o tema ou o género, são a minha principal fonte de conhecimento e inspiração; em 2019, defini a resolução de ler menos, o que na realidade significa ser um bocadinho mais seletivo no momento de escolher os livros. Quero ler mais sobre História e Filosofia, sem deixar de parte a ficção, mas não há tempo e visão para tudo;
  • a área de Leituras do SAPO Blogs, o meu leitor de feeds, onde subscrevo centenas de blogs e há sempre alguém a tocar nos meus temas favoritos do momento: livros, criatividade, solidariedade, alimentação saudável e Lisboa;
  • Instagram, onde tiro partido das hashtags (#Lisboa, por exemplo) e da pesquisa por locais para descobrir novos sítios e eventos para visitar;
  • as prateleiras da Fnac: é uma das lojas que mais vezes visito, sem comprar nada, para espreitar as novidades da secção de livros de Fotografia, entre outras;
  • a minha pasta de marcadores, que abro uma ou duas vezes por mês, com os sites de alguns dos meus sítios preferidos (museus, teatros, etc) e as respetivas programações;
  • a secção de Eventos do Facebook, que espreito de vez em quando, à procura de algum evento aleatório que me possa interessar;
  • para engrenar as roldanas da inspiração, o Spotify (a versão suportada por publicidade) e as suas recomendações automáticas semanais;

Obrigado por lerem!

31/12/18

Dez livros de 2018

Lord Jim, de Joseph Conrad
Conrad tornou-se nos últimos anos, à medida que vou lendo mais da sua obra, um dos meus autores preferidos, apesar da arrogância que pressinto em alguns momentos da sua escrita. Não encontrei ninguém, até agora, que rivalize com o poder descritivo de Conrad. "Lord Jim" é mais um exemplo acabado do que é possível fazer com esse poder.

 

Viver com os outros, de Isabel da Nóbrega
Um exercício de leitura de mentes entre um grupo de amigos e conhecidos reunidos para jantar e socializar num apartamento lisboeta na década 60. Parte da diversão (ou desafio) deste livro também passa por ser feito quase exclusivamente de diálogos (alguns deles interiores), sem atribuição explícita a esta ou aquela personagem. Não sabia quem era Isabel da Nóbrega até ler este ano um artigo sobre a sua obra, mas o que li suscitou a minha curiosidade. Não me arrependi de ter dado a oportunidade.

 

Humans of New York: Stories, de Brandon Stanton
Já conhecia o Humans da internet e, mesmo assim, não contava gostar tanto deste livro. Cada um de nós tem uma história única para contar, com a qual podemos aprender, rir, chorar e crescer. E é fascinante que baste a um tipo com carisma e uma câmara parar desconhecidos na rua para vermos isso tão claramente.

 

Não respire, de Pedro Rolo Duarte
Já falei deste livro aqui no blog e continuo a pensar nele de vez em quando, sobretudo naquela frase do Pedro sobre o tanto que falta para fazer. Não há tempo e energia a perder.

 

Pão de açúcar, de Afonso Reis Cabral
É um livro que a cada capítulo fica mais perto de um desfecho terrível que, de início, me parecia errado ser apropriado pela ficção. O que é que a ficção pode acrescentar ao que aconteceu à Gisberta? Ou o risco pode mesmo ser o de subtrair algo? Terminada a leitura, pareceu-me que acrescenta alguma humanidade à história da Gisberta e também à daqueles miúdos. Mísero consolo, talvez. Mas já é qualquer coisa para quem não quer acreditar que tudo se perdeu naquele poço.

 

A Cultura Mundo, de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy
Mais um livro de que falei aqui no blog e que recomendo a qualquer pessoa que procure uma moldura para enquadrar e pensar o tempo em que vivemos.

 

O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick
Uma surpresa e o ponto de partida para descobrir a obra de Philip K. Dick, que me parece ter sido um autor invulgar a vários níveis.

 

Call me by your name, de André Aciman
Uma leitura que soube a uma escapadinha de 5 dias pela Itália. Tem a combinação perfeita de horas de sol, refeições ao ar livre e passeios de bicicleta por aldeias italianas. Além de ser uma bela história do primeiro amor (e do mais difícil).

 

Os Filósofos e o Amor, de Aude Lancelin
Por falar em amor, um apanhado muito por alto, mas interessante, das várias formas como esse sentimento foi pensado e explicado ao longo da história. Na falta de um manual para amar, é um belo substituto.

 

Olhando o sofrimento dos outros, de Susan Sontag
Se o livro fosse meu, teria voltado para a estante quase todo sublinhado. Sontag não se demora em contemplações, é muito direta a fazer ligações e a partir para hipóteses de sentido. Como fotógrafo amador e consumidor de notícias é um livro que me parece obrigatório para pensar o lugar privilegiado que ocupamos de observadores da tragédia do nosso tempo e mundo.

24/12/18

Feliz Natal, amigos

pedron18-moldura-9994.jpg

É aquela altura do ano em que apetece chamar amigos a toda a gente, mesmo aqueles que não o foram, mesmo aqueles a quem não o fomos. Que bom que é assim. Espero que tenhamos todos tempo e coragem para tentarmos fazer melhor.

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