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14/08/18

10 tweets sobre as bicicletas GIRA

Bicicletas GIRA

  1. Sou utilizador desde junho e conto até agora mais de 150 viagens no sistema - uma média de 2.5 viagens por dia, sobretudo entre o trabalho e o comboio.
  2. Estou viciado.
  3. O meu percurso favorito em ciclovia é entre o Saldanha e o Campo Grande, ao início da noite. Aquela reta enorme paralela ao jardim Mário Soares é uma espécie de A1 das bicicletas.
  4. A bicicleta sempre foi uma espécie de brinquedo, mas quem é que tem as pernas e o luxo de poder suar a caminho do trabalho? A bicicleta elétrica é o brinquedo para todas as faixas etárias e dress codes.
  5. Congestionamento de bicicletas já é uma realidade no centro de Lisboa. Alguma falta de civismo (sobretudo falta de cedência de prioridade aos peões nos sítios onde a ciclovia se cruza com passadeiras) também.
  6. O sistema de pontos torna o sistema ainda mais viciante (já somo 13 mil).
  7. Já vi malta a ciclar com uma mão no guiador e outra a escrever no telemóvel.
  8. Agora que ando mais à superfície, noto como a poluição no centro da cidade é muito real.
  9. Fora das ciclovias, partilhar a estrada com automóveis ainda é uma experiência intimidante e cansativa (é preciso o dobro da atenção).
  10. Andar de bicicleta pelas ruas de Lisboa com amigos. Olá adolescência que nunca tive.
17/07/18

Há tanto por fazer

Terminei ontem de ler "Não respire", o livro que Pedro Rolo Duarte escreveu durante e sobre o seu último ano de vida. Como alguém disse na apresentação, é um livro que não queremos que acabe. Quando acaba, fica a tristeza de perder alguém que trabalhava tão bem as palavras e que ajudava a fazer sentido do nosso tempo. Para lá disso, todavia, dei por mim, ontem ao final do dia, a sentir a vontade, algo adormecida nos últimos tempos, de voltar a escrever sobre as minhas coisas, os livros que vou lendo, as pessoas que vou conhecendo e a cidade que vou observando. É por isso que agora aqui estou, a falar do livro do Pedro. Ler as suas memórias e aceder, até certo ponto, à esfera privada da sua vida, onde se cruzam preferências e convivências, despertou-me para essa necessidade de escrever. É isso que o Pedro sempre soube fazer e é também essa a maior impressão que fica deste livro, de uma vida realizada e preenchida por afetos, palavras e paisagens.

Outra coisa que fica clara nestas páginas é o amor e orgulho que o Pedro sente pelo filho. Se não tivesse ido à apresentação do livro, no Museu da Eletricidade, não teria uma ideia da pessoa a quem associar esse deslumbramento paternal. Mas fui e fiquei assombrado pela graça e naturalidade com que o António Maria, com vinte e poucos anos, colocou a plateia ora a rir ora em absoluto silêncio ao falar do pai. Um silêncio feito de admiração pela prova de maturidade à nossa frente, sem dúvida, mas também de algo que só a palavra carisma explica. O posfácio, da sua autoria, é um texto comovente, que reconforta qualquer leitor ali chegado.

O tema da paternidade é aquele que inspira algumas das passagens do livro que mais fiz questão de guardar para mim. Deixo uma delas, extraída de uma das crónicas do Pedro para a Lux Woman, na qual fala da carta que escreveu ao filho, quando este atingiu a maioridade:

"O que lhe disse? Bom, que aos 18 anos o mundo é maior do que sabemos, mas mais pequeno do que desejamos. Felizmente, ele já conseguiu perceber quão grande ele é, e como somos pequenos e insignificantes neste espaço imenso. Como tudo indica que só vivemos uma vez, sugeri-lhe que aproveitasse o melhor do mundo e saboreasse cada dia como se fosse o último. Não é, mas muitas vezes parece. (...) Para ele, a vida começa realmente agora. Escrevi-lhe: «Se olhares com atenção, há tanto por fazer que parece faltar-nos o ar e vida para tudo. Sugere o teu pai: faz pouco, mas faz bem. Um passo de cada vez."

15/06/18

Sobre a Feira do Livro de Lisboa 2018

Alguns tweets rápidos:

  • Não percebi o grande tema da feira deste ano.
  • Agora a sério, uma ideia gira para introduzir mais novidade à feira: um tema diferente por edição.
  • Sentimos todos falta do sol nas últimas semanas, mas é impressão minha ou foi uma das feiras mais "secas" dos últimos anos? A chuva não marcou muita presença, à exceção de uma ou duas manhãs.
  • Trabalho perto, e sou atraído por livros como uma melga a uma lâmpada acesa, por isso, sim, fui mais vezes à feira do que me sinto à vontade para admitir aqui (vá, umas 7 ou 8 vezes).
  • Provei finalmente os estaladiços gofres à venda na feira e fiquei desiludido.
  • A feira do livro continua a ser, para mim, uma excelente forma de descobrir e acrescentar livros à minha lista de leituras. De outro modo, como me teria cruzado com este delicioso título de Mário Cesariny, a Primavera Autónoma das Estradas, a surpreender transeuntes desprevenidos algures na feira?
  • Livros comprados? Só um, num alfarrabista, para oferecer à mulher mais perigosa que conheço: Mulheres que lêem são perigosas.
  • Terminou na quarta-feira e já estou com saudades.
11/05/18

A bordo da Eurovisão

Pude assistir ontem ao vivo à segunda semifinal do Festival Eurovisão da Canção, e aqui ficam alguns tweets rápidos:

  • para quem cresceu a ver televisão em Portugal, estar na sala quando começa a tocar o Te Deum, o hino da Eurovisão que assinala o início da transmissão, é meio surreal;
  • a Eurovisão é, definitivamente, mais um evento televisivo do que um espetáculo de música ao vivo: a contagem decrescente para "entrarmos no ar" e depois a passagem do hino causa a impressão de estarmos todos a participar de algum acontecimento místico, quais astecas à espera do nascer do sol televisivo;
  • tratando-se de um ritual asteca, tem de haver uma criatura sacrificada, claro: a música;
  • a logística envolvida na gestão de tantas câmaras, efeitos de luz (e fogo!) e pessoas parece mais incrível ao vivo - o geek dentro de mim estava de eyes wide open a tudo o que se passava à volta do palco;
  • o facto de tudo ter corrido bem (ao nível da transmissão e do evento), sem falhas aparentes, é um feito impressionante para todos os envolvidos (incluindo as apresentadoras portuguesas);
  • um dos raros grandes eventos a que fui em que havia fila para a WC dos homens (diz qualquer coisa sobre a demografia da audiência);
  • se pudesse corrigir a célebre frase de Salvador Sobral, diria que a música não é fogo-de-artifício, mas as canções ontem a concurso eram, de facto, praticamente só fogo-de-artifício, o que é especialmente caricato tendo em conta a razão porque o concurso este ano está a decorrer em Lisboa;
  • apareci na Altice Arena sem ter ouvido qualquer uma das canções a concurso nesta semifinal e não levo dali favoritos para a final;
  • colocar música a concurso é sempre um exercício um bocadinho parvo, mas o público aplaudiu todos os concorrentes em palco por igual, o que reforça a atmosfera de festa descontraída e de encontro de culturas, que me parecem ser as principais qualidades da Eurovisão;
  • não sei dizer se passou na transmissão televisiva (porque já aconteceu naquele compasso de espera enquanto a votação está a decorrer), mas um dos momentos altos da noite, para mim, foi voltar a ouvir um bocadinho do "E depois do adeus";
  • a final promete a atuação da canção portuguesa, da Cláudia Pascoal, e um dueto entre Salvador e Caetano, por isso, sim, dava um pequena parte de um rim (de pastelaria) para poder assistir ao vivo à final, no sábado.
28/01/18

A ponte no horizonte

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 A ponte, vista a partir de Almada. Janeiro, 2018.

 

Terminei de ler há dias "A Ponte Inevitável", de Luís F. Rodrigues, sobre a história da ponte 25 de Abril. É uma leitura, lá está, inevitável para qualquer pessoa que ainda guarde um certo espanto com a escala deste gigante de aço sobre o Tejo.

O livro traça o início da história da ponte ao século XIX, à primeira proposta de uma travessia entre Lisboa e Margem Sul. Vale a pena ficar a conhecer as diferentes ideias que gerações de políticos, engenheiros e projetistas tiveram em relação à localização e configuração que essa travessia podia vir a ter. Estes estudos mostram como, apesar do seu carácter inevitável, esta também foi uma ponte sucessivamente adiada. A sua construção, na década de 60, juntou essa vontade antiga de unir as duas margens à moderna engenharia do século XX, a mais bem preparada até aí para ambicionar realizar mega-construções.

A história da ponte não acaba com a sua inauguração em 1966. O fim do Estado Novo, o crescimento urbano e a sua manutenção ao longo das décadas foram colocando novas necessidades à estrutura, que o autor aborda recorrendo a várias perspetivas, da história ao urbanismo. Não consigo resistir, todavia, a isolar aquela que mais me agradou encontrar neste livro e que mais impressiona no dia-a-dia da ponte: a estética. Um pequeno exemplo:

“Relativamente à luz, existem aspectos que passam mais despercebidos, nomeadamente, que a experiência estética da ponte é diferente conforme a localização do observador: em Lisboa, olha-se para uma estrutura a sul, ou seja, mais intensamente banhada pelo reflexo da luz do que em Almada. A sensação de desfrutar do pôr-do-sol através da ponte é uma experiência exclusiva de quem a vislumbra a partir do nascente.”

 

A partir do Cais das Colunas

A ponte, vista a partir do Cais das Colunas. Dezembro, 2017.

 

Falar sobre a ponte 25 de Abril sem mencionar o seu estatuto icónico no horizonte de Lisboa resultaria inevitavelmente numa abordagem incompleta à sua estrutura e importância. E uma maneira de tratar esse tema passa por abrir o Instagram. É citado um estudo académico que procurou identificar os monumentos e locais da cidade de Lisboa mais vezes referidos na plataforma:

“Se reduzirmos a lista das suas preferências a elementos monumentais singulares, a Ponte 25 de Abril está inevitavelmente incluída no Top 10 das referências mais importantes da área metropolitana de Lisboa (...). As características deste tipo de informação permitem ainda saber, com exactidão, quais os meses do ano e as horas do dia em que a Ponte 25 de Abril foi mais referenciada/fotografada. Assim, a visualização da infra-estrutura portuguesa atinge picos em Março e Agosto - meses típicos de presença turística em Portugal (...). Relativamente às horas do dia em que a travessia é mais escrutinada pelos turistas das redes sociais, o período da tarde destaca-se claramente dos demais. Dado que o pôr-do-sol em Agosto acontece entre as 20:00-20:30 horas, não será de surpreender que os turistas optem por captar imagens prévias a esse momento - pelo que o período das 19:00 é o mais concorrido a nível fotográfico.”

 

Terreiro do Paço

Terreiro do Paço. Janeiro, 2017.

 

Fascina-me esta ideia de poder tentar medir o número de vezes que um objeto, mesmo um tão grande quanto esta ponte, é visto e registado. Subjacente a isso está a premissa de que fotografamos o que valorizamos. E o que tanto nos impressiona na ponte 25 de Abril? É a sua escala? A harmonia estética da sua geometria? É a geografia em que se encontra? É a vigília sobre as águas do Tejo das duas torres gémeas? Ou é a tensão viva das suas linhas? E que formas ou figuras são convocadas pelo seu desenho? Há muitas maneiras de investigar a ponte e de coleccionar respostas a estas perguntas. O livro "A ponte inevitável" é uma delas (e muito boa na forma como o faz). A arte é outra (estou muito curioso para ir ver ouvir a Shadow Soundings, por exemplo). A minha maneira favorita, mesmo assim, e aquela que está ao alcance da maioria de nós, ainda é a fotografia.

 

Cais das Colunas

Setembro, 2017.

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