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05/12/16

Ser livre

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Na semana passada, fui assistir à apresentação do livro do rapper Luaty Beirão, um dos 16 ativistas presos em 2015 pelas autoridades angolanas por se terem reunido para discutir um livro ("Da Ditadura à Democracia", de Gene Sharp). Esteve preso quase um ano, durante o qual fez uma greve de fome de 36 dias em protesto contra a sua detenção, e decidiu recorrer da sua amnistia, apesar do risco que existe de ser obrigado a cumprir o tempo que resta da sua pena de prisão de 5 anos por rebelião e associação de malfeitores.

Por tudo isto, esperava ouvir um homem mais abatido e desiludido. Luaty Beirão mostrou o oposto: uma boa disposição marcada por sorrisos e pela gratidão por toda a atenção e ajuda recebida de amigos, conhecidos e desconhecidos. E mostrou que continua empenhado em desafiar e expor as contradições do governo angolano, apesar do custo pessoal que isso pode ter e já teve. Estou curioso para ler o seu livro, chamado "Sou eu mais livre, então" e baseado no diário que escreveu a partir da prisão, mas já fiquei impressionado com o homem e o exemplo (a "pedagogia da coragem", como lhe chamou, na sala, Daniel Oliveira).

Na fotografia, Luaty Beirão e Mónica Almeida, que falou das consequências da prisão do marido na sua família e atividade profissional como fotógrafa.

02/09/16

A Festa do Livro em Belém (e o Presidente Marcelo)

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A curiosidade da Festa do Livro em Belém começa logo na forma como é apresentada na brochura oficial, como "uma iniciativa de Sua Excelência  O Presidente da República". Já muito foi dito e escrito sobre a originalidade do estilo presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, mas organizar uma feira do livro nos jardins do Palácio de Belém é notável. Passei por lá ontem, no primeiro dia, e gostei desse dois em um que é ficar a conhecer os jardins do Palácio com livros à volta. Se essa descrição for aliciante, quem quiser tem até domingo para passar por lá, com entrada gratuita. Quanto à feira propriamente dita, tem a dimensão que o espaço permite e preços apenas ligeiramente reduzidos.

 

 

31/12/15

Alguns livros que me surpreenderam em 2015

Não são necessariamente os meus favoritos do ano, mas são aqueles que causaram algum tipo de sobressalto. Vão daqui recomendados.

 

Saint Exupery, Marcel Migeo (link)

O primeiro livro que me veio parar às mãos em 2015 e um dos mais bem escritos, apesar de se tratar de uma tradução portuguesa já antiga. Migeo fez um ótimo trabalho a desmistificar o aviador, escritor e filósofo em Saint-Exupéry para nos dar a conhecer o homem, com os seus inevitáveis defeitos, e a sua incrível vida.

 

A Condição Humana, André Malraux (link)

Outro autor francês, uma grande surpresa com a pungência de Malraux. O traço que mais me ficou na memória da sua leitura é o nevoeiro da noite.

 

Go Set a Watchman, Harper Lee (link)

Esperava, como antecipa a Vanita, o resultado de um golpe de marketing, mas uma vez lá chegado, tive de entrar no livro e isolar o ruído. Foi um dos poucos livros de que falei aqui no blog, está lá tudo o que penso dele.

 

Capitães da Areia, Jorge Amado (link)

Foi a minha primeira leitura de Jorge Amado e rendi-me completamente à narrativa das aventuras daquelas crianças. No final, sentia-me uma delas e, claro, não queria que ninguém ali crescesse.

 

Segundo Sexo (1ª parte), Simone de Beauvoir (link)

Um livro que marcou o feminismo e que clarifica uma série de coisas à volta da nossa condição atual de homens e mulheres.

 

Sputnik, Meu Amor, Haruki Murakami (link)

O meu primeiro encontro com Murakami e uma excelente impressão inicial. A sua sensibilidade torna o mais pequeno gesto límpido e luminoso.

 

A Máquina de Fazer Espanhóis, valter hugo mãe (link)

Um retrato da velhice sem falsas contemplações e um bom ponto de partida para descobrir a obra de valter hugo mãe.

 

Flores, Afonso Cruz (link)

Uma das últimas leituras de 2015 e um autêntico ramalhete de belas imagens literárias. A curiosidade em relação a Afonso Cruz começou com a apresentação, na Fnac, de "Barafunda", outro livro seu para crianças e logo aí ficou evidente a sua cultura, filosofia e talento para cativar quem o lê.

 

A Possibilidade de Uma Ilha, Michel Houellebecq (link)

Um livro tão provocador que ainda não sei bem, ao final de um mês, o que pensar dele. A ironia e um certo (alguns diriam considerável) desdém pela humanidade aparecem na leitura como um degrau inesperado no caminho. Vamos tropeçar e retomar o caminho como se nada fosse, mas há um incómodo que perdura.

21/10/15

"Vai e põe uma sentinela": o lado lunar do romance que cativou o mundo

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Nota: li a versão original, Go Set a Watchman, mas neste post uso o título da tradução portuguesa, Vai e põe uma sentinela, editada pela Editorial Presença.

 

Deve o esboço de um livro, há muito esquecido e até certo ponto renegado pela sua autora, ser publicado? Sobretudo quando promete abalar a percepção de outra obra acarinhada por milhões de leitores?

 

“Vai e põe uma sentinela” foi escrito primeiro, mas dois anos de revisões produziram “Por favor, não matem a Cotovia?”, o único livro que marcava, até agora, a carreira literária da autora norte-americana, Harper Lee. Publicado em 1960, “Não matem a Cotovia” tornou-se numa espécie de tesouro literário da América, pela serenidade da sua mensagem de igualdade e justiça aliada a um nostálgico retrato da infância.

 

A polémica à volta de "Vai e põe uma sentinela" envolve questões sobre a forma como o seu manuscrito foi descoberto pelos representantes legais de Harper Lee e como a autora, debilitada pela idade, deu o aval à sua publicação. A tradução portuguesa do livro chega hoje às mãos do público, pelo que só resta responder às questões de caráter literário: é um bom livro por mérito próprio? Ou não passa de um rascunho que devia ter ficado na gaveta? O seu conteúdo trai, de algum modo, a história e os personagens que os leitores já conhecem?

 

Apesar de conter os indícios que dariam origem ao primeiro livro a ser publicado, “Sentinela” é um livro acabado e diferente. Escrito a partir do ponto de vista de Jean Louise, agora com 26 anos e a viver em Nova Iorque, a sua história tem lugar quase 20 anos depois dos eventos descritos em “Não matem a Cotovia” e com o movimento dos direitos civis dos negros como pano de fundo.

 

Ao regressar à sua terra natal, Maycomb, Jean Louise espera reencontrar as pessoas e os locais da sua infância inalterados pelo tempo, mas o presente tem necessidades mais urgentes. A maior prova disso é a revelação de que o seu pai, o advogado Atticus Finch, aceitou participar num conselho de cidadãos oposto ao reconhecimento de direitos políticos à maioria negra da população de Maycomb.

 

No primeiro livro, Atticus é o único defensor público que aceita representar (e consegue ilibar) um jovem negro de uma acusação falsa de violação. Não é fácil conciliar esse exemplo de justiça e retidão com o Atticus racista e calculista que a história agora publicada apresenta. A revelação desencadeia em Jean Loiuse uma rejeição do pai e do seu modelo moral. Para um leitor de “Não matem a Cotovia”, que tenha sido cativado pela sua idealização de Atticus, o desnorte não é menor.

 

A um nível metatextual, o desapontamento sentido pelo leitor dos dois livros em relação à figura de Atticus causa um certo fascínio, na medida em que esse efeito decorre de um contacto anterior com o personagem que não foi planeado ou previsto pela autora. A deceção de Jean com Atticus espelha o sentimento de quem lê o segundo livro e sente que perdeu um exemplo de virtude, ainda que ficcional.

 

“Vai e põe uma Sentinela” é um livro igualmente fascinante pelo vislumbre que oferece do processo criativo na origem de “Não matem a Cotovia”. Os dois livros parecem tocar-se nos momentos em que Jean Louise recua na memória até à sua infância, passada com o irmão Jem. Lee sabe evocar com imaginação e habilidade a magia e a inocência da infância. O novo livro, e os episódios de infância da protagonista que nele constam, dão sentido à opção de Lee, nos anos 50, de voltar atrás e rescrever “Sentinela” a partir do ponto de vista de uma criança.

 

Sem a história agora vinda a público, o primeiro livro nunca teria sido possível. Ao mesmo tempo, é por ter sido escrita primeiro, e contar uma história diferente, lunar e de perda de inocência, que "Sentinela" merece ter sido encontrado e lido.

 

O final de “Vai e põe uma Sentinela” é algo inconclusivo e abre o livro a críticas de um certo conformismo e até condescendência. Em qualquer caso, é uma história que lembra como, apesar da mudança das leis, restam sempre as consciências individuais. Tal como a segregação racial, no seu tempo, ou os direitos LGBT, no nosso, há um intervalo entre as leis e as mentalidades, que leva o seu tempo a ser fechado. A tolerância não pode ser cultivada com intolerância é mais um eco da mensagem de “Não matem a Cotovia".

 

O novo livro não é uma "traição" da história conhecida desde os anos 60. É o recontar da mesma lição, a partir de um perspetiva diferente. Pode dizer-se que “Vai e põe uma sentinela” é a versão mais adulta e exigente de “Não matem a Cotovia”, na qual questões sobre a desigualdade, o progresso e a vida adulta sublinham a responsabilidade intransmissível de cada um formar e seguir a sua própria consciência.

22/09/15

O meu take sobre o fenómeno literário do ano

Mesmo antes de ser publicado, A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins (editado em Portugal pela TopSeller), já tinha batido recordes no Goodreads e, pelo que tenho visto em primeira mão no SAPO, é um dos livros mais comentados nos blogs. A minha curiosidade, portanto, já estava em alerta quando a Vanita publicou a sua opinião sobre o livro e convenceu-me a dar-lhe uma oportunidade. Mais até do que a minha curiosidade, era o meu ceticismo em relação aos chamados fenómenos literários que exigia uma confirmação.


E vou já começar com a admissão: fui apanhado de surpresa pelo fim. Muita boa gente, com certeza mais atenta do que eu, garante ter topado tudo a páginas de distância do fim, mas o elemento de surpresa é algo que não posso retirar a Hawkins, que soube baralhar bem as cartas e semear devidamente as suspeitas.

Significa isto que se trata de um bom thriller? A resposta é sim. Quem é fã do género e está à procura de um sudoku literário, provavelmente não se vai sentir defraudado.

 

Para um livro que está nas mãos e bocas do mundo, não deixa de surpreender as profundidades a que Hawkins lança a sua protagonista. O retrato que faz do sentimento de fracasso e desistência provocados pelo alcoolismo é vívido e convincente. Nota-se o esforço colocado no desenvolvimento psicológico da protagonista, ainda que o livro ameace esgotar-se no tema do alcoolismo, ao ponto deste servir, demasiadas vezes, para encobrir (ou criar?) alguns buracos ao nível da intriga.

No final, o leitor de policiais tem direito a confirmar ou não a sua tese. Outros tipos de leitores, todavia, terão menos por ansiar, ao nível da escrita e dos temas retratados. Se forem como eu, o mais provável é estarem a tentar não sucumbir à pressão de ler o livro que todos estão a ler. Boa sorte com isso!

03/07/15

Da feira do livro de Lisboa

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Chega maio e começo a sentir aquela antecipação em relação à feira do livro: o ambiente comedido de feira, o subir e descer do parque, os livros a desconto, o cheiro a farturas (porque comer uma já não é para mim), os encontros com amigos. A feira do livro é sobretudo isso, uma espécie de primeiro "first date" da cidade com o verão e visto desse prisma é difícil desiludir. Vou lá mais para o passeio, mas até eu achei difícil resistir aos descontos da Relógio D'Água: trouxe de lá Moby Dick, cuja tradução procuro ler há algum tempo, e o primeiro volume da coletânea de Oscar Wilde, que entrou finalmente nas minhas leituras.

Mais coisinhas sobre a feira do livro deste ano:

as fotografias da Paula Ferreira para o Corvo;

- a série Se (tivesse muito dinheiro e) passasse na Feira do Livro de Lisboa hoje da Madalena, com boas recomendações de leitura;

- e, por fim, para quem como eu gosta de ver o que os outros compraram na Feira, a tag feira do livro no SAPO Blogs.

10/05/14

livros: à solta na Estufa Fria

 

No meio da vegetação da estufa fria, eis que surge um pequeno e alvo móvel cheio de livros, a fazer lembrar uma cena saída da série televisiva Lost.

 

 

Trata-se de uma zona oficial de bookcrossing, assinalada por um cartaz a chamar a atenção para LIVROS GRÁTIS. Uma proposta a que é difícil resistir.

 

 

Trouxe estes dois. Li "A Peste Escarlate" num ápice e tratei de o "abandonar" no banco de um comboio. Infelizmente, o site do Bookcrossing parece estar em piloto automático e não consigo registar-me para poder fazer o "check-in" dos livros. Não sei se sou o único com este problema, mas não encontro mais ninguém a queixar-se. O importante parece mesmo ser disfrutar dos livros.

 

Dica extra: visitar a Estufa Fria é grátis ao domingo de manhã.

04/01/14

livros: para 2014

Em dezembro perguntámos à comunidade quais tinham sido as suas leituras preferidas de 2013. Quem participasse, com um post no seu próprio blog, além de um destaque na nossa homepage, também se arriscava a ganhar um dos cinco livros que tínhamos para oferecer. 

 

Escolhemos em equipa os cinco posts que receberam um livro de oferta, mas foram mais os livros/posts que despertaram a minha curiosidade. Deixo-os aqui, para quem estiver à procura de boas sugestões de leitura em 2014.

 

"Todos os nomes", de José Saramago

http://sweetstuff.blogs.sapo.pt/137108.html

 

"Guia para 50 personagens da ficção portuguesa", de Bruno Vieira Amaral
http://livros-abertos.blogs.sapo.pt/8492.html


"O Padrinho", Mario Puzo
http://lerreflectir.blogs.sapo.pt/112213.html

 

"Um longo caminho para a liberdade", de Nelson Mandela
http://eporquenaoeu.blogs.sapo.pt/199754.html

 

"Cinco quartos de laranja", de Joanne Harris
http://lolitaamaiscatita.blogs.sapo.pt/6385.html

 

"O mapa e o território", de Michel Houellebecq
http://bolaseletras.blogs.sapo.pt/618985.html

 

"Mizé - Antes galdéria do que normal e remediada", de Ricardo Adolfo
http://livroseoutrasmanias.blogs.sapo.pt/3529.html


"Grito", de Rui Nunes
http://manifestacaoespontanea.blogs.sapo.pt/124694.html

 

30/06/13

livros: Typhoon

Excerto de uma das histórias do livro que ando a ler, intitulada Typhoon, de Joseph Conrad:

"It was something formidable and swift, like the sudden smashing of a vial of wrath. It seemed to explode all round the ship with an overpowering concussion and a rush of great waters, as if an immense dam had been blown up to windward. In an instant the men lost touch of each other. This is the disintegrating power of a great wind: it isolates one from one's kind. An earthquake, a landslip, an avalanche, overtake a man incidentally, as it were -- without passion. A furious gale attacks him like a personal enemy, tries to grasp his limbs, fastens upon his mind, seeks to rout his very spirit out of him."

Devo ter lido este parágrafo umas cinco vezes, tal foi a impressão causada. E é o tipo de coisa que está sempre a acontecer-me ao longo desta leitura: ler e voltar atrás para ler novamente, em assombro com as imagens que Conrad constrói desta enorme tempestade. Não há nada como estar imerso na sua descrição de um barco a vapor apanhado por um tufão no Mar da China à sombra de 35ºC e junto às quietas águas do Tejo. Quem quiser pode ler a história na íntegra e gratuitamente através do Projecto Gutenberg.

26/08/12

online: Goodreads

Este é o gráfico relativo ao número de páginas que li nos últimos anos, gerado pelo Goodreads, uma espécie de rede social para leitores, que voltei a redescobrir esta semana por intermédio de um post da Marianne. Passei a tarde de Sábado de volta dos meus livros e deste site, a tentar lembrar-me de tudo o que li recentemente, para poder usar a funcionalidade de "stats" e ter uma melhor ideia de como têm evoluído as minhas leituras.

 

Além das estatísticas, o site ainda gera recomendações de leitura baseadas nos livros que já lemos, e a componente social deixa-nos acompanhar o que os nossos contactos andam a ler e dizem desses livros. Para quem gosta de livros, o apelo é evidente.

 

Quem estiver a pensar estrear-se por aqui e possui um smartphone/iPod não precisa de fazer como eu e perder uma tarde a adicionar livros ao perfil. Basta descarregar a app gratuita para iOS e Android que o Goodreads disponibiliza e começar a tirar os livros das estantes. A app permite usar a câmara fotográfica para ler os códigos de barras dos livros e adicioná-los automaticamente ao nosso perfil. Sabe bem viver no futuro, hein?

 

Se decidirem experimentar, ou já estiverem por lá, adicionem-me!

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