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Este é o gráfico relativo ao número de páginas que li nos últimos anos, gerado pelo Goodreads, uma espécie de rede social para leitores, que voltei a redescobrir esta semana por intermédio de um post da Marianne. Passei a tarde de Sábado de volta dos meus livros e deste site, a tentar lembrar-me de tudo o que li recentemente, para poder usar a funcionalidade de "stats" e ter uma melhor ideia de como têm evoluído as minhas leituras.
Além das estatísticas, o site ainda gera recomendações de leitura baseadas nos livros que já lemos, e a componente social deixa-nos acompanhar o que os nossos contactos andam a ler e dizem desses livros. Para quem gosta de livros, o apelo é evidente.
Quem estiver a pensar estrear-se por aqui e possui um smartphone/iPod não precisa de fazer como eu e perder uma tarde a adicionar livros ao perfil. Basta descarregar a app gratuita para iOS e Android que o Goodreads disponibiliza e começar a tirar os livros das estantes. A app permite usar a câmara fotográfica para ler os códigos de barras dos livros e adicioná-los automaticamente ao nosso perfil. Sabe bem viver no futuro, hein?
Se decidirem experimentar, ou já estiverem por lá, adicionem-me!

O livro saiu em Novembro do ano passado, aterrou na minha pilha de livros a ler pouco depois, mas só recentemente é que finalmente peguei nele. A missão do herói do romance mais recente de Stephen King consiste em viajar no passado e evitar o assassinato do presidente John F. Kennedy, no dia 22 de Novembro de 1963.
É uma história empolgante, tanto mais que se cruza com personagens e eventos verídicos, e culmina num dos acontecimentos mais marcantes da história recente dos EUA. É preciso percorrer algumas centenas de páginas até chegar ao dia D, o dia que dá o título ao livro, e nesse ponto da história, em que passado e futuro colidem, as páginas parecem voar a uma velocidade estonteante.
Ao introduzir o livro, o autor diz que a ideia para escrever esta história surgiu-lhe poucos anos após o assassinato de Kennedy, mas que a "ferida" ainda estava muito viva na sua memória, e na do país, para o fazer. O livro de 2011 não explora a memória dessa tragédia nacional, na medida em que não se deixa enredar em teorias da conspiração nem se demora em considerações relativas a um dos protagonistas obrigatórios desta história, Lee Harvey Oswald, o presumível assassino de Kennedy.
Oswald aparece nesta história apenas circunstancialmente. Seja como personagem histórica ou ficcional, Oswald só por si não é credível como vilão. Oswald era o emplastro capaz de qualquer coisa para simplesmente aparecer (alguns anos antes do assassinato, teve os seus 5 minutos de fama nos média americanos ao renunciar à nacionalidade e procurar "exílio" na URSS), e que nunca era levado a sério por ninguém, daí talvez a dificuldade de muita gente em acreditar que tenha agido sozinho. As trevas estão sempre à espreita em "11/22/63" (ou não fosse King o senhor das trevas), mas a verdadeira ameaça emana do próprio tempo. Se formos livres para mudar o passado, o quê ou quem nos pode impedir?
O livro tem os seus defeitos, a começar pela excessiva lamechice da história de amor que serve de interlúdio, e sobretudo o aparente desinteresse do autor em relação ao protagonista (sabemos quem é e o que faz, mas nunca chegamos a perceber o que o leva a embarcar nesta odisseia temporal), mas é difícil resistir-lhe a partir do momento que destranca o segredo para viajar no tempo: como impedir um dos eventos mais documentados da história norte-americana, e que, todavia, continua até hoje envolto num grande manto de suspeição e especulação? Qual é o grau de certeza necessário para tomar decisões de vida ou morte? Quão fácil seria parar Lee Harvey Oswald? E que consequências é que mudar o passado teria? São algumas das perguntas que atiçam esta leitura.

É a minha recomendação de leitura para o Verão. Um romance que cheira a maresia e pede para ser lido com o mar no horizonte. Não é um livro de viagens, no sentido mais rigoroso da expressão, mas quando voltava a pegar nele, fazia-o com o entusiasmo de quem embarca numa odisseia particular algures no oceano Pacífico. Uma escapadinha literária ideal para se fazer no Verão. Fica a recomendação.
Ando a ler a última obra de Stephen King, "Under the dome" (algo como "Debaixo da cúpula", embora torça para que o tradutor português se sinta mais inspirado no momento de traduzir o título), um peso pesado com 1074 páginas que dou por mim a não querer que chegue ao fim.
O livro conta a história de Chester's Mill, uma pequena população na costa leste dos EUA, que de um momento para o outro vê-se isolada do mundo por um campo de forças invisível em forma de cúpula. Resumido deste modo não parece grande espingarda, admito isso, mas o que acendeu a minha imaginação foi ver a ilustração da sobrecapa do livro (na edição norte-americana):
Fizeram mesmo um óptimo trabalho com a ilustração (ampliar). Não se deve avaliar um livro pela capa blablabla, mas esta suscitou a minha curiosidade pelo que tratei de encomendá-lo sem precisar de saber mais nada.
No outro dia, já depois de ter pegado no livro e de não conseguir largá-lo, reparei na queijeira que temos na cozinha e tornou-se translúcida a inspiração para o livro. O que não reduz em nada a sua originalidade, pelo contrário. Supondo que a ideia surgiu mesmo dessa forma, é um feito valente, colocar aquilo que é basicamente uma queijeira de vidro gigante sobre uma cidade e ver o que acontece ao longo de mil páginas.
É difícil pôr o dedo no género exacto do livro, mas está ali entre o "horror fantástico" e o policial, sem deixar de ir buscar ideias e referências a outros sítios. A primeira influência que me ocorre, talvez por ser tão actual, é a de "Lost" (um dos personagens da série televisiva chega a ser mencionado de passagem), na forma como isola a acção e os personagens do resto do mundo e os envolve numa luta pelo poder, novamente com um herói relutante à frente dos "bons" da fita. Dá-me a ideia de que King não se teria importado nada em ter surgido com a ideia para "Lost" (não que a série não deva muito ao universo literário de Stephen King).
Além disto, voam referências a figuras da cultura popular: Anderson Cooper, o pivô da CNN que se tornou numa espécie de estafeta não-oficial das mais recentes catástrofes naturais no planeta, Barack Obama, Sarah Palin (!), Gregory House (também conhecido como Dr House), entre outros. É muito raro ter o luxo de ler um livro de ficção escrito tão em cima do momento, ao ponto de parecer que foi acabado de escrever ontem, por alguém que aprecia as mesmas séries televisivas e marcas de computador (Apple, claro). Se há alguém capaz de juntar terror, ficção científica e uns "snacks" da cultura popular dominante, e ainda proporcionar uma leitura absorvente, é Stephen King.
Ainda vou a meio do livro (comecei no fim-de-semana passado, o que diz muito do meu ritmo insaciável), mas sinto-me completamente apanhado pela história. É aquele tipo de livro que depois de nos aterrar nas mãos já não conseguimos largar.
A única coisa que me dá que pensar ao olhar para o calhamaço é o número de árvores que foi preciso derrubar para imprimir mil páginas de texto que provavelmente não volto a ler.
Ainda assim, lembro-me sempre deste twitte do Frank Chimero, sobre a sensação única que é ler um livro "verdadeiro":
"Finishing a book. One of the best feelings. The left hand gets heavier, the right hand lighter."
A mão esquerda fica mais pesada, a direita mais leve, e o torcicolo mais desconfortável.