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06/11/13

ecos: as coisas que fazemos

"Os objectos são aquilo que não somos, aquilo que nunca chegaremos a ser. Será que as pessoas fazem as coisas para definir os limites da personalidade? Os objectos são os limites de que necessitamos desesperadamente. Mostram-nos onde terminamos. Dissipam temporariamente a nossa tristeza."


Don DeLillo, em "Os nomes".
30/06/13

livros: Typhoon

Excerto de uma das histórias do livro que ando a ler, intitulada Typhoon, de Joseph Conrad:

"It was something formidable and swift, like the sudden smashing of a vial of wrath. It seemed to explode all round the ship with an overpowering concussion and a rush of great waters, as if an immense dam had been blown up to windward. In an instant the men lost touch of each other. This is the disintegrating power of a great wind: it isolates one from one's kind. An earthquake, a landslip, an avalanche, overtake a man incidentally, as it were -- without passion. A furious gale attacks him like a personal enemy, tries to grasp his limbs, fastens upon his mind, seeks to rout his very spirit out of him."

Devo ter lido este parágrafo umas cinco vezes, tal foi a impressão causada. E é o tipo de coisa que está sempre a acontecer-me ao longo desta leitura: ler e voltar atrás para ler novamente, em assombro com as imagens que Conrad constrói desta enorme tempestade. Não há nada como estar imerso na sua descrição de um barco a vapor apanhado por um tufão no Mar da China à sombra de 35ºC e junto às quietas águas do Tejo. Quem quiser pode ler a história na íntegra e gratuitamente através do Projecto Gutenberg.

24/06/13

ecos

Escravos cardíacos das estrelas,

Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;

Mas acordámos e ele é opaco,

Levantámo-nos e ele é alheio,

Saímos de casa e ele é a terra inteira,

Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

Álvaro de Campos, Tabacaria.

13/06/13

ecos: sobre o iOS 7

Fascinante, a quantidade de reações ao iOS 7. Não me lembro de ler tanta gente na blogosfera a discutir design, usabilidade e iconografia em tão poucos dias. Para quem se interessa por estes temas, mesmo que amadoramente (o meu caso), o iOS 7 é a melhor coisa que podia ter acontecido. Aqui ficam algumas das leituras que fui fazendo nos últimos dias sobre o assunto:


Ler )
15/05/13

ecos

Excerto de uma notícia sobre o novo recorde registado na semana passada no nível de partículas CO2 presentes na atmosfera (medido no Hawaii, que serve de referência mundial):

Within a decade the world will never see days — even in the cleanest of places on days in the fall when greenhouse gases are at their lowest — when the carbon measurement falls below 400 ppm, said James Butler, director of global monitoring at the National Oceanic and Atmospheric Administration's Earth Science Research Lab in Boulder, Colo.

O novo recorde de CO2 na atmosfera é de 400 partes por milhão. Em 1958, o primeiro ano em que começaram estas medições, o nível era de 315. O resto do artigo faz uma leitura assustadora.

26/10/12

Fezada

É aquilo que em Portugal tanto serve de avale a um plano esforçadamente engendrado como à inabalável intuição de que nos vai sair o Euromilhões na terça-feira. Mas com este OE dá-se um passo em frente. Nos mapas das receitas do Estado surge uma nova rubrica: Lotarias (está lá, vão conferir, mapa VI). Em cima de tudo o que se sabia, Gaspar decidiu taxar a nossa sorte a 20%. Um quinto do valor dos prémios de jogos sociais acima de 5 mil euros é para o Fisco. Quem vê no ministro um perfeito contabilista germânico, desengane-se. Porque com esta ideia simples Gaspar introduz definitivamente essa variável tão genuinamente portuguesa na difícil equação de um resgate estrangeiro. Contas feitas, o Estado tem a fezada de encaixar 50 a 60 milhões com a sorte que teremos no ano de todos os azares. Ora aí está a boa notícia: pelo menos 250 milhões em totolotos e raspadinhas ninguém nos tira.

João Pedro Oliveira, na sua crónica do Económico, dúvida soberana.

27/09/11

ecos

"Ainda há coisas que me fascinam e deslumbram e me deixam sem saber onde acaba o futuro. Mas seja lá onde for, eu quero continuar por dentro..."

 

Pedro Rolo Duarte, a partilhar o seu deslumbre com a magia por trás de tecnologias como o Shazam.

14/06/10

Não gostar de poesia

Escreve Nuno Artur Silva, numa crónica sobre Lisboa e verões passados:

 

Há um amigo meu que não gosta de poesia. Diz que ouvir poemas, para ele, é como ouvir números. “ Eu vi a luz em um pais perdido”: 33, 22, 7, 423. “E busque amor novas artes, novo engenho”: 93, 44, 2, 113.

 

Imagino-o, um dia, a ler, por acaso, um poema “É ferida que dói e não se sente”: 24, 13, 5, 1001, desinteressado e distraído, um texto que nem seja um poema, um texto donde lhe venha, inesperado e fulgurante, um verso que ele ganhe como quem ganha a lotaria, como o número de uma lotaria íntima, o segredo do cofre onde ele guarda a sua secreta poesia privada.

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