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27/10/12

Bon Iver no Campo Pequeno

Nuno Galopim, no DN, sobre o concerto de ontem à noite de Bon Iver:

O concerto soube caminhar entre momentos de maior intensidade elétrica e etapas de mais evidente exposição da tão característica voz de Justin Vernon (que é decididamente mais um músico que um comunicador de massas). E conduziu-nos até ao momento de clímax que se desenhou quando Calgary e o absolutamente inspirado Beth/Rest (em versão arrebatadora) que fecharam o alinhamento como um bom livro sabe colocar o ponto final.

E eu não estive lá.

15/08/12

bon iver

Posso voltar atrás? E dizer o quão especial é aquele vídeo ali abaixo, de uma sessão musical ao vivo entre Justin Vernon e Sean Carey (que, ja agora, tem um álbum a solo, intitulado "All we grow", que recomendo)?

 

Estava a ver o vídeo ontem pela terceira ou quarta vez e comecei a pensar no que torna a música de bon iver tão especial. Por que é que aqueles acordes e falsettos se repercutem tão bem cá dentro?

 

Existe algo comparável entre a gratificação causada pela sua música e a gratificação que sentimos lá no íntimo com aquela peça de imobiliário que tem as medidas perfeitas para o nosso T0.

 

E a conclusão meio simplista e totalmente óbvia a que cheguei é que ela nos autoriza a ser melancólicos e tristes enquanto a ouvimos. O segredo da música bon iver reside aí, no que vai buscar à tristeza e como valida a sua autenticidade (podemos fingir e enganar-nos em relação a quase tudo, mas não dá para falsificar tristeza).

 

Nos três concertos a que fui de Justin Vernon, e presumo que em todos os que ele dá, ele encerrou sempre a noite obrigando a audiência a cantar em coro "What might have been lost". É algo que teve o seu efeito no primeiro concerto, quando provavelmente não éramos mais de três centenas de pessoas, e voltou a ter no segundo, quando já eram alguns milhares. Em Lisboa, foi um Coliseu de Recreios esgotado e a abarrotar a cantar este verso de "The wolves" (do primeiro álbum). Uma canção que fala de um amor perdido e da miséria causada, de uma maneira que convida mais a celebrá-la do que a evitá-la.

 

Colocar um Coliseu dos Recreios, ou qualquer outra sala de concertos a abarrotar, a cantar "What might have been lost" é a celebração máxima de um desgosto. É autorizá-lo a ele, e a nós, a reconhecer que algo se perdeu e que não faz mal em voltar àquela divisão mal-iluminada e vazia de recompensa que é a tristeza. Pode ser a única coisa verdadeira que resta.

01/11/11

bon iver

 

Desta vez foi menos intimista (o concerto foi integrado num festival da Pitchfork, que decorreu no Grande Halle de La Villette, onde couberam alguns milhares de pessoas), mas mais espetacular e trabalhado (havia alguns 10 músicos em palco, a suportar Justin Vernon). Foi um bocadinho inesperado ouvir o novo álbum (do qual não sou grande estudioso, confesso) interpretado com tanta energia e descontração - uma atuação digna de qualquer festival de música, o que reforça a esperança de vir a acontecer em solo português.

25/09/10

Kanye West + Bon Iver

Gostei muito mais do que esperava do último álbum de Kanye West (808s & Heartbreak) e acho que vou gostar ainda mais do próximo, Dark Twisted Fantasy, com lançamento no dia 16 de Novembro. Descobri esta semana que entre a catrefada de DJ's e rappers de que nunca ouvi falar que colaboraram no álbum está, nada mais, nada menos, Justin Vernon (o mesmo Bon Iver que tem direito a uma tag neste blog):

The rumors are true. And then some. Bon Iver mastermind Justin Vernon laid vocals down on "at least 10 songs" during three separate week-long trips to record with Kanye West in Hawaii earlier this year. While it's unclear how many of those tunes will actually make Kanye's forthcoming record-- due November 16-- at least one, "Lost in the World", seems to be a lock. Pitchfork / Justin Vernon talks Kanye Collaboration

 

Contem comigo para estar na fila no dia em que o álbum aterrar nas prateleiras. A Pitchfork conversou com Vernon sobre a colaboração, e eu recomendo a leitura na íntegra da entrevista, mas um dos momentos altos tem de ser esta parte da resposta dele sobre o convite de Kanye para gravar algumas músicas:

He (Kanye) was like, "I like how you sing so fearlessly. You don't care how your voice sounds. It'd be awesome if you could come out to Hawaii and hear the track, and there's some other shit I think we could throw down on." I was just like, "Yeah, cool man!" I surprised myself by not being nervous or apprehensive. I said, "When should I come out?' And he was like, "How about tomorrow?"

Mais para o fim, ele revela que "75%" do seu próximo álbum já está feito, e que deve ficar terminado lá para 2011. E não vai ser outro For Emma, Forever Ago. Ele mudou-se para um sítio melhor:

Pitchfork: You definitely have a lot to be happy about. If you were unhappy now, there'd be serious problems.

Justin Vernon: Yeah, if I was bumming out and making some breakup record now how boring would that be?

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