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A visita à sede da RTP, através da Open House, foi uma das poucas que apanhei que ainda permitia inscrições, por isso não deu que pensar muito. Foi um bocado cansativo (a visita de meia hora acabou por durar duas horas e meia) mas valeu a pena ficar a conhecer por dentro a estação pública de rádio e televisão. Acima, a secretária de onde é apresentado o Telejornal. Kleenex sempre à mão.
A minha câmara fotográfica (uma point-and-shoot da Sony, com apenas 4 anos) pifou, por isso a recomendação de passeio tem de ser feita através das fotografias de outros. Sugiro começar por este post do Diário de Lisboa, que desperta a curiosidade sobre o que a edição deste ano da Experimenta Design, dedicada ao Useless, reserva aos visitantes do seu Lounging Space, alojado no edifício do antigo Tribunal da Boa-Hora, em plena Baixa lisboeta.
A bienal de arte+arquitetura abriu as portas e janelas do tribunal, que ficou Useless em 2009 com a inauguração do Campus da Justiça na Expo, ligou as luzes e convidou artistas a instalarem-se e a instalar o edifício. A escolha do antigo tribunal como ponto de encontro para os vários sentidos da palavra Useless promete a vários níveis, a começar pela sensação de se estar a percorrer os bastidores da justiça, das salas de julgamento (ainda equipadas com as cadeiras de estofo preto reservadas aos juízes) aos gabinetes, passando pelos corredores, onde se cruzaram durante anos acusados, vítimas e testemunhas de todos os tipos de crimes. Se há sítio que parece ser habitado por fantasmas, é este.
Algum do imobiliário que ficou para trás com a troca de instalações também foi aproveitado de forma simbólica. Ventoinhas, máquinas de escrever, aquecedores e outros equipamentos estão amontados junto às escadas, a bloquearem a passagem. Amontoados e inúteis, os objetos parecem dizer aos novos visitantes "levem-nos convosco".
O uso anterior do edifício, de resto, não passou despercebido aos artistas, como faz prova uma das minhas partes preferidas da mostra, a design crime scene.
A entrada é livre, mas para quem se interessa por design, arquitetura e ao que acontece quando estas se misturam em arte, a visita é obrigatória (até dia 27 deste mês).
À saída, só fica a esperança íntima de que, depois da bienal ter desligado a última luz e fechado a porta atrás de si, a cidade consiga encontrar e dar outro uso parecido ao antigo tribunal da Boa-Hora.
Pensei em fazer as coisas de forma um bocadinho diferente e desta vez sugerir uma pequena incursão por um livro de que gostei bastante recentemente: The Making of "Where the Wild Things are". Como as minhas dicas subtis para o Natal não surtiram efeito, acabei finalmente por encomendá-lo há algumas semanas pela Amazon.
Para quem, como eu, apreciou o filme, este livro é um tesouro, cheio de histórias sobre as filmagens e todo o trabalho criativo envolvido numa produção assim. E é de uma mega-produção que se trata, com todas as pressões e maleitas que um projecto deste género implica. Há histórias de tudo um pouco: esgotamentos nervosos, crises de humor e até discussões acesas entre amigos em pleno "set". Fazer um filme não é fácil, e este livro oferece um testemunho sincero sobre o lado bom e o lado mau da realização do "Sítio das coisas selvagens". Mas não é assim, de bons e maus momentos, que se fazem as coisas boas?
De certa forma, é um alívio perceber que uma certa tensão está subjacente a qualquer bom trabalho de equipa. É interessante ler como a dada altura, o cansaço e a exigência diária das filmagens fez com que o ambiente no cenário reflectisse um pouco a história do filme. "As coisas selvagens éramos nós", diz Jonze. Faz-me pensar que este livro dava um óptimo manual de sociologia sobre trabalho em equipa.
Por fim, valia a pena falar deste livro só pelo trabalho gráfico e de edição que visivelmente entrou nele. Nada parece ter sido deixado ao acaso, e é um festim visual folhear página após página. As histórias de amizade, as partidas que os elementos da equipa pregavam uns aos outros, as dificuldades com que se debatiam, tudo ganha mais vida com as fotografias e o excelente trabalho de edição do livro.

O Visual Street Performance deste ano ocupou a antiga escola primária da rua das Gaivotas, em Lisboa, e transformou-a numa instalação de arte urbana. Salas de aula pintadas de alto a baixo, quadros a giz completamente graffitados, corredores transformados em tela, etc. Vale mesmo muito a pena ver isto. Não é todos os dias que uma antiga escola é posta nas mãos de um colectivo de artistas de rua com carta branca para fazerem aquilo em que são bons.
De volta à edição deste ano da bienal Experimenta Design, e às várias exposições espalhadas por Lisboa. Desta vez, passámos pela LX Factory, em Alcântara, para visitar a exposição "A Beleza do Erro".
Desta vez vamos partir à descoberta da ExperimentaDesign, uma bienal internacional dedicada ao design, arquitectura e criatividade a decorrer em Lisboa até 9 de Novembro, e que este ano tem como tema o tempo ("tempo para agir, tempo para colaborar, tempo para reflectir").
Bóra passear?