Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

15/08/12

bon iver

Posso voltar atrás? E dizer o quão especial é aquele vídeo ali abaixo, de uma sessão musical ao vivo entre Justin Vernon e Sean Carey (que, ja agora, tem um álbum a solo, intitulado "All we grow", que recomendo)?

 

Estava a ver o vídeo ontem pela terceira ou quarta vez e comecei a pensar no que torna a música de bon iver tão especial. Por que é que aqueles acordes e falsettos se repercutem tão bem cá dentro?

 

Existe algo comparável entre a gratificação causada pela sua música e a gratificação que sentimos lá no íntimo com aquela peça de imobiliário que tem as medidas perfeitas para o nosso T0.

 

E a conclusão meio simplista e totalmente óbvia a que cheguei é que ela nos autoriza a ser melancólicos e tristes enquanto a ouvimos. O segredo da música bon iver reside aí, no que vai buscar à tristeza e como valida a sua autenticidade (podemos fingir e enganar-nos em relação a quase tudo, mas não dá para falsificar tristeza).

 

Nos três concertos a que fui de Justin Vernon, e presumo que em todos os que ele dá, ele encerrou sempre a noite obrigando a audiência a cantar em coro "What might have been lost". É algo que teve o seu efeito no primeiro concerto, quando provavelmente não éramos mais de três centenas de pessoas, e voltou a ter no segundo, quando já eram alguns milhares. Em Lisboa, foi um Coliseu de Recreios esgotado e a abarrotar a cantar este verso de "The wolves" (do primeiro álbum). Uma canção que fala de um amor perdido e da miséria causada, de uma maneira que convida mais a celebrá-la do que a evitá-la.

 

Colocar um Coliseu dos Recreios, ou qualquer outra sala de concertos a abarrotar, a cantar "What might have been lost" é a celebração máxima de um desgosto. É autorizá-lo a ele, e a nós, a reconhecer que algo se perdeu e que não faz mal em voltar àquela divisão mal-iluminada e vazia de recompensa que é a tristeza. Pode ser a única coisa verdadeira que resta.

Comentar:

De
(moderado)
Este blog tem comentários moderados.
(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.
Comentário
Máximo de 4300 caracteres
Inserir emoticons

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.