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Bóra passear?
Quero começar por dizer que não era fã das ciclovias propostas para Lisboa. Em muitos casos, as ciclovias passam por sítios que já têm essa funcionalidade e espaço para acomodar toda a gente, peões e ciclistas. Esburacar, repavimentar, obstruir, incomodar, parecia-me desnecessário.
Mudei de ideias depois de passear pela ciclovia de Alcântara, recentemente inaugurada.
Mostra o que eu (não) sei sobre o assunto.
O mais impressionante em relação à nova ciclovia é que parece ter sido projectada por um artista de rua.
OK, eu não sei quem realmente projectou a ciclovia, mas estão a ver a primeira prova do que falo. Um excerto de um poema de Alberto Caeiro pintado no pavimento do Cais do Gás.
Boa escolha.
Portanto, não é só uma ciclovia. É uma instalação de rua, feita de migalhas de pão.
Até as tampas de esgoto tiveram direito a tratamento especial.
Novamente, "O Tejo é mais belo".
"Pelo Tejo vai-se para o mundo"
Take it away, Tom:
(música de Tom Jobim, cortesia do Poemblog)
Conseguem imaginar quando isto der para ver do espaço, no Google Maps?
Ao longe, o novo espaço in da cidade.
Não resisti ao clichê.
E agora, a minha parte favorita da nossa expedição.
Faltam-me adjectivos para descrever a genialidade da ideia. Acho que só vamos lá com onomatopeias mesmo.
O canto das sereias da ponte 25 de Abril. Uma enorme onomatopeia pintada no chão.
Como eu imagino a cena, é como se quem andou a pintar as marcas da via tivesse feito uma pausa para descanso neste local e decidido ser um bocadinho, talvez um bocadão, criativo com a tinta. Acho que não foi assim que a coisa se passou, mas não custa imaginar que sim.
Penso que é mais mmmmm do que zummm, mas quem fez isto quis agradar a todos. Adorava saber quem teve a ideia.
Não é genial?
Novo running away from camera.
Também digna de nota, a arrojada tipografia.
Mais uma marca de criatividade no passeio, a alertar para a proximidade de pescadores. Duvido que funcione com os peixes.
A ciclovia do Tejo, que ainda não está acabada, podia ser só mais uma ciclovia, umas marcas no chão e estava feita. Felizmente, a oportunidade apresentou-se a alguém de fazer algo original, que brinca com a paisagem, suscita a curiosidade ao longo do percurso e ainda tem tempo para elogiar o Tejo. Façam mais coisas assim.
Obrigado por decidirem passear connosco. Até à próxima.