Sábado, 6 de Fevereiro de 2010
Digno de nota

Uma das coisas fixes de trabalhar com blogs é que nunca sabemos o que nos vai entrar pela loja. Alguém a pedir um blog com um tema egípcio, com pirâmides e cobras, ou labaredas ao som dos Metallica. Não é todos os dias assim, e existe repetição (e por vezes até marasmo), mas de vez em quando aterra-nos um "briefing" completamente inesperado em cima da secretária.

 

É um bocadinho a mesma coisa que me interessou em jornalismo, nunca saber bem o que o próximo dia podia trazer. Hoje podia estar a trabalhar sobre um assunto e amanhã já ter de dominar (até certo ponto) outro tema completamente diferente. Não é algo exclusivo ao jornalismo, claro, mas é uma daquelas profissões em que se tem de ser pau para toda a obra. Incluindo, ser enviado para o Iraque. É estranho descobrir que alguém (mais novo que eu, ainda por cima) com quem me cruzo nos corredores do trabalho encontra-se, subitamente, numa das cidades mais perigosas do planeta. Acho que isto resume bem o que estou a tentar dizer sobre o que é ser jornalista.

 

Já agora, por falar em jornalistas em situações perigosas, o Luís Castro encontra-se algures no Afeganistão ao serviço da RTP, integrado num batalhão norte-americano.

 

(este post era para ser sobre outra coisa completamente diferente, mas basta falar em "Iraque" e "Afeganistão" para subitamente tudo o resto parecer pouco pertinente)

Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
"Things have been tough lately for dreamers."

 

Wow.

Be better

 

Uma das perguntas que mais me fazem sobre blogs é "como é que posso divulgar o meu blog?". Sim, é mau sinal quando alguém sequer faz essa pergunta, porque significa que entendeu tudo ao contrário, mas há uns dias li este post, no blog do Frank Chimero (um dos meus designers de referência e autor de um daqueles blogs que qualquer pessoa interessada em fazer coisas boas devia acompanhar), e parece-me que a melhor resposta a essa pergunta está por ali.

 

A pergunta surgiu durante uma sessão de perguntas & respostas com os leitores do blog.

 

How do you promote yourself?
Unsexiest answer ever: be better.

 

Do something interesting and do it really well. This is way harder than promoting yourself. Service your clients really well. Come up with damn good work that has thick value.

Do something compelling. There’s a trillion people writing blogs that need something to write about. There are magazines hungry for content. There are hundreds of thousands of people bored on the internet wanting something to look at or do. For the most part, people have exceedingly low standards on the internet. But, I think people are hungry for better. Make something better. People will notice.

The number of people that are consuming creative work keeps growing (because it’s fun and nourishing). The number of people doing solid, compelling creative work is staying the same (because it’s hard work). You do the math.

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
Um comboio vermelho no horizonte

 

 

 

Só esta semana reparei neste espantoso grafíti ali nas Amoreiras de um comboio interurbano da CP. Espantoso tanto pela dimensão e complexidade (de certeza que exigiu estudo) como pelo grafíti dentro de outro. Jogo de perspectiva, realismo, detalhes, cor, está tudo ali. Alguém quis elevar a fasquia e mostrar do que é capaz.

 

 

Domingo, 31 de Janeiro de 2010
I love Lisbon too

 

Excelente trabalho da MusaWorkLab para uma revista alemã.

Making of Fantastic Mr. Fox

 

Quando andava a fazer o post anterior deparei-me com outro livro sobre um filme, o "Making of Fantastic Mr. Fox".

 

 

Parece ser outro livro cheio de histórias e pormenores interessantes sobre a execução de um filme particularmente dependente da atenção ao detalhe. O site da Pentagram tem um artigo com mais imagens e informações sobre o livro.

Sábado, 30 de Janeiro de 2010
Bóra passear?

 

Pensei em fazer as coisas de forma um bocadinho diferente e desta vez sugerir uma pequena incursão por um livro de que gostei bastante recentemente: The Making of "Where the Wild Things are". Como as minhas dicas subtis para o Natal não surtiram efeito, acabei finalmente por encomendá-lo há algumas semanas pela Amazon.

 

Para quem, como eu, apreciou o filme, este livro é um tesouro, cheio de histórias sobre as filmagens e todo o trabalho criativo envolvido numa produção assim. E é de uma mega-produção que se trata, com todas as pressões e maleitas que um projecto deste género implica. Há histórias de tudo um pouco: esgotamentos nervosos, crises de humor e até discussões acesas entre amigos em pleno "set". Fazer um filme não é fácil, e este livro oferece um testemunho sincero sobre o lado bom e o lado mau da realização do "Sítio das coisas selvagens". Mas não é assim, de bons e maus momentos, que se fazem as coisas boas?

 

De certa forma, é um alívio perceber que uma certa tensão está subjacente a qualquer bom trabalho de equipa. É interessante ler como a dada altura, o cansaço e a exigência diária das filmagens fez com que o ambiente no cenário reflectisse um pouco a história do filme. "As coisas selvagens éramos nós", diz Jonze. Faz-me pensar que este livro dava um óptimo manual de sociologia sobre trabalho em equipa.

 

Por fim, valia a pena falar deste livro só pelo trabalho gráfico e de edição que visivelmente entrou nele. Nada parece ter sido deixado ao acaso, e é um festim visual folhear página após página. As histórias de amizade, as partidas que os elementos da equipa pregavam uns aos outros, as dificuldades com que se debatiam, tudo ganha mais vida com as fotografias e o excelente trabalho de edição do livro.

 

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Sábado, 23 de Janeiro de 2010
Coisas boas

 

Uma coisa boa, feita de arroz, no blog da Cristina Morais. (via Leonor)

Vídeos panorâmicos

 

Isto é extraordinário, de uma maneira que é preciso testar para comprovar. A CNN disponibilizou no seu site alguns vídeos panorâmicos filmados no Haiti, que podem ser explorados como uma fotografia panorâmica, só que em movimento. Podemos apontar a imagem em toda a volta, da mesma maneira que fazemos no Google Street View, enquanto o repórter de imagem da CNN anda pelas ruas de Port-au-Prince, e demorar o olhar naquilo que quisermos em redor do repórter. Parece-se um bocado com ser levado ao colo de alguém, o que pode ser a analogia certa, tendo em conta que nos transporta para dentro da imagem. (via Kottke)

Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
I'm here

Wow, quero tão ver isto.

(do mesmo realizador do Sítio das coisas selvagens)

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